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Direitos Humanos. Guerra contra Lavadores de Vidros em Semáforos de esquinas.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

30 agosto de 2007.

Rua de Florença.


ROMA. Os debates foram intensos nas televisões. Muitos políticos, para não contrariar a tendência popular, resolveram abandonar suas antigas posturas ideológicas para não remar contra a maré. Em síntese, um oportunismo vergonhoso.

Mas, de repente, fiquei com a sensação de ter virado correspondente de guerra a serviço do boletim Justiça e Cidadania, das terças e quintas, na CBN. E a guerra começou ontem.

Trata-se de guerra feroz. Guerra contra os lavadores de vidros de automóveis, que ficam nos semáforos de esquinas.

Essa guerra conta com o apoio integral dos políticos italianos da direita e do centro-esquerda. E para meu espanto e decepção, a esquerda está dividida. A Cúria romana saiu em defesa dos lavadores.

Nas grandes cidades, mais da metade dos italianos consultados querem,-- contra os lavadores-- medidas iguais àquelas que entram em vigor ontem em Florença.

Ou seja, desejam a aplicação de multa de 206 euros ( cerca de R$600,00) e até 3 meses de prisão administrativa para o reincidente lavador de pára-brisa de automóvel.

. O ato disciplinador das novas regras é da Junta administrativa da cidade de Florença, que é de centro-esquerda.

A essa altura, os Médici devem estar a virar nas tumbas para perguntar: será que em nome do abuso de certos lavadores, a pobreza deve ser criminalizada ?

Ontem, o jornalista Sandro de Riccardis dirigiu-se a Milão. A prefeita milanesa estuda, --como ocorre em quatro outras grandes cidades--, a eventual implantação da medida adotada em Florença.

Esse jornalista do La Reppublica ( o de maior circulação na Itália), --que se fingiu passar por um imigrante romeno--, foi quase atropelado nas esquinas. Esquinas onde parava com uma garrafa d´água e escova de lavar vidros. A mãe desse jornalistas era lembrada com torpilóquios e dedo-médio levantado pelos motoristas.

Nas cinco horas que se fingiu de lavador, o jornalista recebeu quatro euros, cerca de R$12,00.

Dada a repercussão, o caso de Florença pode ser importado nas grandes cidades brasileiras. E aí, vítimas sociais serão transformadas em culpados.

No Brasil, felizmente, não há qualquer possibilidade constitucional para imposição de prisão para esses casos. A respeito, somos uma federação e estados e municípios não podem impor sanções privativas de liberdade. Apenas para lembrar, a Itália é um estado-unitário (não federado).

Com efeito. No Brasil, políticos populistas poderão usar o discurso da segurança pública para comandar, sem prisões, mas com expulsões (vide caso dos ambulantes), a repressão aos lavadores de vidros de automóveis ? Como a maioria dos italianos aprovou a repressão, vale lembrar duas pérolas discriminatórias do prefeito de Florença.

Para ele, “trata-se de uma resposta concreta aos criminosos, para tutelar os cidadão”. O besteirol não parou aí. Disse mais: “ o objetivo é reprimir comportamentos agressivos, abusivos,-- e por vezes violentos--, em especial contra idosos e mulheres desacompanhadas.

. Pano Rápido. A busca de soluções humanas ainda não foi objeto de cogitação em Florença. Só para lembrar, mendigos em São Paulo já foram, em regiões nobres e de classe média alta, forçados a deixar os viadutos onde moravam e eram vistos.

Um tal José Gregory, --já secretário nacional de direitos humanos e atual secretário municipal dereitos humanos da prefeitura de São Paulo--, aprovou as construções de ofendículas para impedir que moradores de ruas se fixassem em costumeiros locais.

Como diz um velho ensinamento lusitano, “para conhecer o vilão, basta lhe entregar o bastão”.

Walter Fanganiello Maierovitch.


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