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O Bravíssimo Lollo e as suas últimas canalhices. Vote na enquete.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch/CARTA CAPITAL

agosto de 2007.

Lollo, vive no Brasil. Por motivos óvios não quer voltar para a Itália.


Talvez bastasse transcrever manchetes de jornais isentos para responder ao missivista Achille Lollo. Em 16 de abril de 1973, Lollo violou domicílio, derramou gasolina e ateou fogo em uma família de oito pessoas, enquanto todos dormiam, às 2h30 da madrugada. Era a família de Mario Mattei, um varredor de profissão.

Assim, Lollo logrou carbonizar uma criancinha de 8 anos e o irmão de 22. Além disso, queimou e traumatizou Giampaolo Mattei, de 4 anos, e a irmã Antonella, de 9 anos, salvos pela mãe e pelos bombeiros.

O episódio ficou conhecido por Rogo de Primavalle: incêndio no bairro proletário romano de Primavalle. Depois da condenação definitiva do foragido Lollo à pena de 18 anos de prisão, o jornal La Repubblica deu em manchete: “O episódio foi condenado por todos, independentemente das posições políticas”.

Como Lollo é pluriassassino com trânsito em julgado, falso dedo-duro e mitômano, alguns acréscimos são necessários. Proveniente da alta burguesia e filhinho de papai ocupante de cargo de ponta numa multinacional ligada à área química, Lollo ingressou, sem nunca ascender à cúpula, no destacado grupo de militantes de esquerda chamado Poder Operário.

Esse grupo extraparlamentar tinha como secretário-geral o professor de física Franco Piperno. Para Piperno, a agremiação teve como causa principal de dissolução a tragédia conhecida por Rogo de Primavalle, protagonizada por Achille Lollo. Em síntese, Lollo enterrou o Poder Operário.

Piperno esclareceu que a cúpula diretiva do Poder Operário desconhecia o projeto criminoso e jamais coonestaria com Lollo. Mais, soube da autoria um mês depois da tragédia. Isso pela confissão do partícipe Marino Clavo, feita a Valerio Morucci, membro da cúpula do Poder Operário.

Lollo e Clavo ingressaram num conjunto habitacional de moradores de baixa renda próximo à praça romana de Primavalle. Num Fiat, para garantir a fuga, permaneceu Manlio Grillo.

Coube a Lollo derramar gasolina e atear fogo num apartamento, com porta única de saída, localizado no terceiro piso.

O móvel dos assassinatos deveu-se ao fato de Mario dirigir secção de bairro do Movimento Social Italiano (MSI), um partido neofascista, de poucos votos: 8,7% para a Câmara e 9,2% ao Senado.

Mario e o filho incendiado incomodavam ideologicamente o missivista Lollo. Quando descobertos os responsáveis pelo magistrado Domenico Sicca, do Ministério Público de Roma, Grillo e Calvo fugiram.

Lolo: início de um processo que terminou com condenação a 18 anos de reclusão. Foragido no Rio de Janeiro, esperou a prescrição da pena.


Lollo permaneceu dois anos preso e a sua defesa consistia em negar a autoria e acusar o procurador Sicca de perseguição política. Numa brecha processual, fugiu para Angola e, logo depois, para a Cidade Maravilhosa. Do Rio, prega inocência e perseguição política. Freqüentemente, é dado como ex-membro das Brigadas Vermelhas, o que não é verdade. Sua “luta armada” resume-se ao Rogo de Primavalle, onde quis se vingar dos Mattei.

Em fevereiro de 2005, depois de a Justiça ter declarado a prescrição da pena em razão do tempo de fuga, Lollo sentiu-se livre para duas novas canalhices.

No programa Porta a Porta da RAI, o missivista Lollo, do Rio de Janeiro, mudou a versão defensiva que sustentara no processo acabado. Sem corar, disse que a responsabilidade pelas mortes foi de Mario, a insinuar que o mesmo colocara fogo no apartamento e na família para poder acusar Lollo e o Poder Operário.

Não bastasse e sempre depois da prescrição declarada, Lollo, dizendo que manobras contra ele estavam a autorizar a quebra do pacto de silêncio revolucionário, frisou que participaram dos crimes outras três pessoas do Poder Operário: Diana Perrone, Elisabetta Lecco e Paolo Gaeta. Sobre isso, Piperno, ex-secretário do Potere Operaio, falou ao La Repubblica: “Lollo mente”.

Expoente da esquerda italiana e prefeito de Roma, Walter Veltrone, em entrevista ao La Repubblica, declarou: “Os crimes a vitimar os irmãos Mattei foram dos mais cruéis da história do terror na Itália. Queimar dois meninos daquela maneira é uma coisa que não pode ser esquecida em razão da prescrição”.

Por manjadíssimo na Itália e com a esquerda querendo dele distância no mínimo continental, o missivista Lollo permanece no Brasil.

Um expoente de ponta da esquerda radical italiana, o jornalista Valentino Parlato disse: “Lollo praticou um ato sem nenhuma nobreza moral e só buscava vingança”.

Pano rápido: esse é o missivista Achille Lollo, que, em entrevista ao jornal Corriere della Sera, afirmou militância no Partido dos Trabalhadores e agora quer se insinuar como ativista do PSOL.

O certo é que Lollo faz parte da história que mostra o Brasil como país de refúgio de assassinos da pior espécie. Por aqui passou o superboss Tommaso Buscetta, que nunca queimou e ou fritou criancinhas.


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