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Vaffaculo não é injúria, decidiu a Corte de Cassação.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch





Ontem (19/7/2007), a Justiça italiana, em última e suprema instância, proferiu uma decisão surpreendente:"Vaffanculo non è più un offessa"
A mais alta corte de Justiça da Itália foi chamada para se manifestar sobre a expressão “vaffanculo”, que, como todos sabem, consiste em mandar alguém para um certo lugar.

Os ministros da Corte Suprema Corte peninsular, certamente, já tinham assistido ao magistral filme de Frederico Fellini, intitulado “I Vitelloni” (Os boavidas).

No filme, um dos vitelloni foi interpretado pelo saudoso e insubstituível Alberto Sorti. Esse filme eu assisti várias vezes e não dá para esquecer o Sordi, num carro conversível e acompanhado por uma bela mulher, mandar, num dia de sol senegalesco, trabalhadores que consertavam a rovia para um certo lugar: Lavoratori, vaffa . . . (Trabalhadores, vão tomar . . .).

O vaffanculo do personagem de Sordi ainda fez o gesto característico: antebraço direito semidobrado e mão esquerda a bater na drobra interna do cotovelo.

Poucos metros adiante, o carro quebrou e os trabalhadores, com picaretas, partíram em direção ao vitellone (payboy- bom vivant) interpretado pelo Sordi.

Esses mesmos ministros da superior Corte de Justiça, além de ouvirem a expressão nas ruas, já escutaram nas rádios músicas onde o vaffanculo integra título ou letras.

Por exemplo, Marco Masini canta, num lançamento do início dos anos 90, música intitulada “Vaffanculo”. A música alcançou muito sucesso, em especial entre os adolescentes: “Eu era um daqueles filhos sonhadores. Adolescentes que não querem conselhos e respondem entre dentes: vaffanculo, vaffancullo” (erro uno di quei figli, Adolescenti, que che non vogliono consigli e rispondono fra i denti: vaffanculo, vaffanculo”.

Diante do cotidiano italiano, a Corte Suprema de Justiça entendeu que a expressão, quando dirigia a pessoa certa, representa falta de educação, grosseria. Mas, não significa injúria, ou seja, ofensa à honra ou ao decoro.

Bom, está aí a decisão, que os moralistas italianos estão inconformados. Desde criancinhas, eles aprenderam que era um palavrão (“parolacce”).

Por outro lado, não sei, ainda, como um capo do porte de Don Ferretti reagiria caso alguém praticasse a ousadia de dizer-lhe um “vaffanculo”. Como Don Ferretti,-- capo dei tutti capi--, tem um representante no Brasil, vamos aguardar que nos tire a curiosidade.

Caso o seu representante silencie, vou contar que o velho capo, Don Ferretti, é apelidado de "rompicoglioni",pela sua vida de poucos amigos.

Com a palavra Milton FERRETTI Jung Júnior, jornalista e âncora da rádio CBN.


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