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Cultura

 

Gesto substitui palavras. Políticos aderem.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

14 julho 2007.
Deputada Santachè. Depois do gesto ficou conhecida por Santachèfanculo




A mão fechada com o dedo-médio alçado está em voga. Em especial nos Parlamentos e nas ruas do planeta. O significado, em qualquer parte do globo, é sempre o mesmo. Ou seja, manda-se para aquele lugar.

Engana-se quem pensa ter o gesto nascido na Itália e empregado em substituição, --quando a voz não tem o alcance desejado--, ao popular vitupério “Vaffancullo”.

Para pesquisadores, a origem do dedo médio alçado é anglo-saxônica e sempre com o objetivo de xingamento. Como contravenção penal, aparece na Alemanha a título de ato obsceno.

Por outro lado, acerta em cheio quem afirma ter emprego maior na Itália.

No ano de 2005, o primeiro ministro italiano Sílvio Berluconi, depois de vaia recebida na cidade de Bolzano, levantou, do alto do palco, o dedo-médio.

Dada a repercussão negativa, Berlusconi, com a tradicional cara-de-pau, disse que o gesto tinha apreendido com a mãe. E a genitora ensinara-lhe para “mostrar que Berluconi era o número 1”.

Para rematar, o então premier disse que mostrara o dedo-médio, em Bolzano, aos que o vaiaram para lhes informar que “Berlusconi era o número 1, ou seja, o primeiro-ministro”.

Ontem,-- sexta-feira 13, discutiu-se no senado italiano a Reforma Judiciária. Parêntese: no Brasil a reforma levou mais de dez anos e não conseguiu agilizar em um décimo de segundo o andamento dos processos.

Em dado momento, subiu à tribuna a senadora italiana Anna Cinzia Bonfrisco, do partido direitista Forza Itália.

Aí, Anna Cinzia chamou o senador Gerardo d´Ambrosio, democrata de esquerda, de assassino e criminoso. O senador D´Ambrosio pertenceu ao pool de magistrados do Ministério Público que realizou a célebre Operação Mãos-Limpas, de repressão à corrupção na vida político-partidária da Itália.

O então premier Berlusconi.



Em defesa de D´Ambrosio, o senador Goffredo Bettini levantou para Anna Cinzia o dedo-médio, com o braço esticado e mão fechada.

Pela primeira vez, --numa sessão do aristocrático Palazzo Madama (se do Senado italiano)--, assistiu-se um espetáculo similar. Claro, o debate sobre posições contrapostas cedeu lugar a ofensas e ao gesto da mão fechada e dedo-médio levantado.

Uma outra parlamentar, a deputada Daniela Santaché, em 2005, comparecera a uma manifestação de universitários. Depois de vaiada, alçou o dedo-médio aos estudantes que protestaram.

PANO RÁPIDO. No Brasil, certa vez, pisquei o farol para uma motorista parada em fila-dupla.

Então, ela colocou o braço para fora da janela e exibiu-me a mão fechada e o dedo-médio esticado.

Confesso: fiquei contente, pois ela quis dizer que eu era o número 1, como ensina a mãe do Berlusconi. Ela ainda está viva, mora em Milão e pode confirmar


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