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Le Gens de Justiça, entre sapatos e chinelos de dedo.

Por Blog do Maierovitch www.cbn.com.br

5 julho de 2007.
Daumier: Les Gens de Justice.
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O dia começou divertido. É que dei uma olhada no livro que reúne as célebres charges do francês Daumier

Damieu viveu no século XIX. Era o Chico Caruso da época e recebeu o apelido de “O Rei das Caricaturas”. Pela ironia fina, Daumier era infinitamente mais odiado do que amado.

Quem tiver curiosidade, pode procurar um exemplar na Livraria Francesa. Outra opção seria uma busca às imagens do Google, pois tem um monte.

Vale a pena rever as charges reunidas com o título “Les Gens de Justice” (As Pessoas da Justiça).

Nas charges, os juízes e advogados aparecem em vestes talares, ou seja, longas até o talo, ou seja, o calcanhar.

Uma das charges surpreende. O juiz atende uma pessoa que calçava chinelos. Atenção: chinelos com os dedos cobertos e o calcanhar de fora. Pela charge, o juiz atendia pessoa humilde, sem posses, mas em busca de Justiça.

No boletim Justiça e Cidadania eu cheguei a perguntar à jornalista Fabíola Cidral se um jurisdicionado (sujeito à jurisdição de um juiz) seria atendido de chinelos-de-dedo. Na verdade, foi uma provocação, respeitosa.

Em pleno século XXI, o juiz trabalhista Bento Luiz de Azambuja Moreira, --do município de Cascavel, no Paraná--, negou-se a realizar uma audiência em que figurava como reclamenate Joanir Pereira, um trabalhador rural. O motivo é que Joanir calçava chinelos de dedo.

Na semana passada, a audiência que tinha sido remarcada acabou realizando-se. Joanir apresentou-se calçado, até para evitar novo adiamento. Ele usava sapatos emprestados. O número era pequeno, mas deu para Joanir caminhar até o Fórum, apesar do aperto nos pés.

Com a sensibilidade de dez elefantes, -- daqueles bem nutridos da época que o circo Orlando Orfei estava autorizado a exibir animais--, o juiz Azambuja deu um sapato velho de presente a Joanir.

Aí, o juiz Azambuja tomou o troco que merecia. Ou seja, Joanir não aceitou o velho par de sapatos. Fez bem, pois não merecia passar por uma segunda humilhação.


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