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Nariz novo, para apagar a origem étnica.

Por Wálter F Maierovitch/Rádio CBN/Justiça e Cidadania

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3 de maio de 2007.
Duca di Urbino ou Federigo Montefeltro.


Pelo planeta existe uma quantidade enorme de pessoas que precisam mudar de nariz para se integrar à sociedade. E a questão não é estética.

Nos países ricos, o nariz virou motivo para discriminações. Representa um estigma étnico. E é uma das labéus de exclusão social.

E parece estar distante o sonho de uma sociedade igualitária, pluralista, inclusiva.

No curso da historia, o nariz já respirou melhores ares. Na Grécia antiga, o nariz grande era símbolo de virilidade.

Na famosa galeria Uffizi de Florença, uma das pinturas mais visitadas é o autoretrato do duque de Urbino. Na tela ao lado do duque de Urbino,- Federigo da Montefeltro, está outra pintura renascentista, que é o autoretrato da sua esposa

De perfil, o duque de Urbino foi pintado em 1467 pelo mestre Piero della Francesca, com incrível precisão de detalhes. E o detalhe mais chamativo é o degrau no começo do seu nariz, quebrado num torneio esportivo.

Na ópera teatral Cyrano de Bergerac, escrita no século XIX, o nariz gigantesco ajudou a imortalizar o personagem.

E o Freud ensinou que certo tipo de nariz permite avaliar a sexualidade de uma mulher.

O mais famoso cirurgião plástico de nariz é Dean Toriumi, de Chicago.

Dean afirmou que aumentou muito, nos EUA, o número de rino-cirurgias feitas em afro-americanos, hispano-americanos e asiáticos.

O formato do nariz, explica Dean, pode denunciar a origem da pessoa. E nos EUA, muitas precisam parecer menos africanas, ou menos hispâncas, ou menos asiáticas, tudo isto para uma melhor aceitação social.

O cirurgião Dean realiza, em média, 300 operações de nariz por ano.

No ano de 2006 foram realizadas nos EUA 11 milhões de cirurgias plásticas. E 307 mil delas foram de nariz.

O mercado das diferentes plásticas movimentou 25 bilhões de dólares, só em 2006.

Antes da cirurgias plásticas, os pretendentes são submetidos a uma avaliação psicológica, daí a conclusão sobre a busca de mudanças para apagar traços de origem étnica.

Nos EUA, cresce muito, também, as rino-cirurgias para tapar buracos na cartilagem divisória do nariz. Os buracos decorrem da aspiração de cocaína e os norte-americanos são campeões mundiais de consumo de cocaína, para a alegria dos narcotraficantes.


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