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BENTO XVI- corrupto não vai para o céu

Por Wálter F Maierovitch/Rádio CBN/Justiça e Cidadania

4 abril de 2007.

O papa mostra a mão limpa.



*1.

Em tempo de apagão aéreo, estou desconfiado. Acho que o papa Bento XVI arrumou inimizade com alguns brasileiros, isto bem próximo da sua visita ao Brasil, que ocorrerá no mês de maio.

O “incidente” ocorreu no domingo passado (1 de abril de 2007), --chamado na liturgia eclesiástica de Domingo de Ramos--, e em plena praça de São Pedro, no Vaticano.

Na ocasião, o pontífice disse: -“Os corruptos não irão para o céu”.

O papa Ratzinger advertiu, em especialmente aos jovens, sobre a necessidade de se ter as “mãos inocentes”. E mãos inocentes, conforme explicou ao ler o Salmo 24, são aquelas não emporcalhadas pela corrupção. Em outras palavras, não enlameadas pelo recebimento de propinas, de cheque-cidadão inventado pelos Garotinhos no Rio. E, também, mãos não sujas pelos desvios de bens do erário público, etc.

Será que alguns notórios corruptos nativos, --para não vestir a carapuça de diabo--, vão dar, na visita do papa Ratzinger, uma de papagaio-de-pirata ou de papa-hóstia?.

Por falar de corrupção, de crimes financeiros e lavagem desse dinheiro, a ministra Carmen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, acaba de dar um alento a um suspeitos de possuir mãos emporcalhadas. Do tipo, consoante ensinou o papa Ratzinger, dos que vão para o inferno.



Segundo informa o jornalista Frederico Vasconcelos, da Folha de S.Paulo (edição de 1 de abril de 2007), a ministra Carmem Lúcia concedeu habeas-corpus para anular o processo criminal de acusado de lavar dinheiro no Ceará.

Para a ministra Carmem Lúcia, o processo criminal supracitado não pode tramitar perante Vara Federal especializada em matéria referente à lavagem de dinheiro. Assim, o processo deve ser anulado e enviado a uma vara criminal comum, ou seja, não especializada.

A decisão, caso vingue e por tabela, interessa aos acusados de envolvimento com o valerioduto, Banco Santos, Farol da Colina, além de Paulo Maluf,do ex-prefeito Celso Pitta e do publicitário Duda Mendonça. E a anulação poderá levar á prescrição da pretensão de punir os crimes.

Para a ministra, o Conselho de Justiça Federal exorbitou as suas atribuições ao criar, em 2003, varas especializadas em matéria de lavagem de dinheiro. Com isto teria violado o princípio constitucional do juiz natural (juiz certo), ou seja, aquele pré-estabelecido.

O julgamento do hábeas corpus deverá prosseguir nesta semana, pois o ministro Levandovisky pediu adiamento depois do voto da ministra Carmem Lúcia, pela concessão da ordem de habeas-corpus, com recomendação de redistribuição do processo a uma vara não especializada.



Negar ao Conselho de Justiça a possibilidade de baixar resoluções para melhorar a organização judiciária e capacitar juízes, é retrocesso, que leva à consagração da impunidade. É da tradição das Justiças possuir varas especializadas: família e sucessões, registros públicos, fazenda pública, execuções criminais, etc.

Vale lemrbar, ainda, que a criminalidade organizada e a criminalidade financeira têm na lavagem de dinheiro, como já se disse, o banco-de-sangue que lhe dá vida.

Carmem Lúcia já trouxe ao Supremo uma inovação no campo da moda, ou seja, o uso de calça comprida por ministra. Espera-se que não traga um retrocesso, em matéria de organização judiciária.

*1.Comentário apresentado pela Rádio CBN e que pode ser ouvido no site da emissora, ítem JUstiça e Cidadania (www.cbn.com.br). No boletim Justiça e Cidadania o presidente do IBGF e o jornalista Milton Jung conversam todas as terças e quintas feiras, depois do Repórter CBN das 11 horas.


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