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Os 50 anos do Tratado de Roma, que deu vida à União Européia, e o pessimismo de José Saramago.

Por Wálter F Maierovitch/Rádio CBN/Justiça e Cidadania

27 de março de 2007.




O escritor português José Saramago, 84 anos de idade e já ganhador do prêmio Nobel de literatura (1998), mostrou-se pessimista.

Saramago disse, ontem (26/3//2007), que no mundo em que vivemos não há lugar para otimismos. E ele foi mais longe ao afirmar que “um cidadão otimista, nos dias de hoje, ou é estúpido ou é milhardário”. Em outras palavras, estúpido por não perceber o andar da carruagem ou abastado financeiramente por perceber que nada irá mudar.

Saramago não gostou das comemorações otimistas, ocorridas no sábado passado em Berlim e referentes aos 50 anos do Tratado de Roma, que deu vida à União Européia. Para ele, a Europa faliu e está prestes a assistir a volta do fascismo.

Não há dúvida que muitas coisas não andam bem. Mas, a vida do cidadão comum melhorou. Aliás, causa inveja a nós, cidadãos do combalido Mercosul.

José Saramago, prêmio Nobel de Literatura em 1998.


Nos 27 estados-membros da União Européia temos democracia plena para 500 milhões de cidadãos. E nenhum presidente do tipo George W.Bush.

As Cortes de Justiça não aplicam e nem aceitam leis a estabelecer pena de morte. Nem barbarismos fundamentalistas como apedrejar a adúltera até a morte, ou cortar a mão do ladrão, ou a língua do caluniador.

Na comunidade européia vigora uma Carta que relaciona os direitos e garantias fundamentais do cidadão. E estes são assegurados pela Corte de Direitos Humanos sediada em Estrasburgo, na França. O fato de ainda não se ter conseguido,-- por referendo--, aprovar uma Constituição para a União Européia não implica em espaço aberto para violações a direitos humanos.



Muitos países que entraram “quebrados” economicamente na União Européia conseguiram se reerguer e oferecer melhores condições aos seus nacionais. Por exemplo, Portugal, Grécia, Irlanda e Polônia. A Europol, polícia da União Européia, é temida pela criminalidade organizada. E ela consegue coordenar e estabelecer sinergia entre as forças policiais dos estados-membros, ao contrário do Brasil. É animador, -- e dá inveja no bom sentido--, saber que no âmbito da União Européia cresceu significativamente o número de postos de trabalho. E muito mais do que nas Américas.

Os alimentos vendidos são rigorosamente controlados, ou seja, o cidadão da Comunidade Européia sabe o que come, ao contrario de grande parte dos brasileiros.

Na comunidade européia, mais de 81% dos cidadãos consideram-se “muito satisfeitos ou contentes” com a vida.

Nos finais de semana,-- para fazer turismo ou visitar parentes e amigos--, dá para viajar de avião para outros estados da comunidade, sem apagões aéreos e por preço inferior ao de uma passagem de trem. Por exemplo, pode-se visitar o Louvre, cuja entrada é de graça no domingo.

O Saramago anda muito amargo nas avaliações. De fato, existem mais de 50 bons motivos para comemorar os 50 anos da Comunidade Européia. E também existem bons motivos para se ler o último livro, intitulado “As Pequenas Memórias”. WFM/CBN, 27 de março de 2007.


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