São Paulo,  
Busca:   

 

 

Cultura

 

PAMUK, ganhador do Nóbel de literatura de 2006 continua sua luta pelos direitos fundamentais do ser humano.

Por Wálter F Maierovitch/Rádio CBN/Justiça e Cidadania

Pamuc, prêmio Nobel de literatuta de 2006.



O turco Orhan Pamuk, --- que a semana passada ganhou o prêmio Nobel de Literatura --- é de uma coragem incrível e coerência extraordinária. Isto, na sua luta pelos direitos fundamentais da pessoa humana.

Pamuk reconheceu que na Turquia ocorreram genocídios. Pelos seus cálculos, foram eliminados hum milhão de armênios e 30 mil curdos.

Essa opinião de Pamuk rendeu-lhe um processo criminal por vilipêndio, ultraje, à identidade turca, punível de 1 a 3 anos de reclusão.

Com o processo criminal em andamento, veio para Pamuk,-- em boa hora-- a notícia do prêmio Nobel. E, também, a recomendação da União Européia, -- onde a Turquia quer ingressar---, para a abolição de todo crime tipificado que represente intimidação voltada a proibir a livre manifestação do pensamento.

CBN


Com a conquista do Npbel de literatuda, os 3 últimos livros de Pamuk bateram recordes de vendas na Europa. E já estão no prelo novas edições de Istambul, Neve, e o Meu Nome é Vermelho.

Como se percebe, a Academia Suéca, que concede o Nobel de literatura desde 1901, deu um elegante cruzado,-- à Mohamed Ali (Classius Clay)--, no governo turco, que não admite os genocídios de armênios e curdos e processa por delito de opinião.

Com relação à Academia Nobel sediada em Estocolmo, ela não cansa de lutar pela palavra livre e contra as opressões.

Os dois últimos ganhadores do Nobel de literatura fizeram críticas pesadas aos seus países. Em 2005, Harold Pinter criticou duramente a invasão do Iraque e taxou Blair de idiota e Bush de assassino. E o Nobel da Gierra Fria foi para as mãos do dissidente russo Aleksandr Sogenitsin levou o Nobel com o Arquipélego Gulag.

Ainda sob risco de ser preso por afirmar que em terras turcas consumaram-se genocídios de armênios e curdos, Pamuk, com coerência invejável, criticou o Parlamento da França.

Isso porque a Assembléia Nacional Francesa acaba de aprovar projeto de lei que considera crime e impõe cadeia àquele que negar o genocídio dos armênios pelos turcos.

.




Absurdamente, os deputados franceses querem colocar no Código Penal um juízo de questão histórico. Quem não concordar e se expressar contra, vai prá cadeia. Em síntese, a opinião vira crime.

A essa altura, os iluministas e enciclopedistas franceses devem estar virando nos seus túmulos no cemitério de Montparnasse.

IBGF/CBN- 19 outubro de 2005.


Assuntos Relacionados
© 2004 IBGF - Todos os direitos reservados - Produzido por Ghost Planet