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GUERRA AOS VÉUS. agora na Inglaterra.

Por Wálter F Maierovitch/Rádio CBN/Justiça e Cidadania



O primeiro ministro britânico Tony Blair atravessa um período de “inferno astral” que parece não chegar ao fim.

No momento, Blair tenta consertar o estrago causado pelo seu ministro Jack Straw. Num arroubo de intolerância religiosa--, esse ministro declarou “guerra aos véus” usados pelas mulheres muçulmanas.

De imediato, veio o apoio do escritor anglo-indiano Salman Rushdie, autor dos Versos Satânicos. Pela obra considerada uma blasfêmia, Rushdie suportou a ira do ayatollah Khomeine, contrário à liberdade de expressão.

Para se avaliar o tamanho da encrenca causada pelo ministro de Blair, é bom lembrar que a comunidade islâmica na Grã Bretanha é estimada em 1,8 milhão de pessoas. Ou seja, haja véus. O implicante ministro Jack considera o véu-islâmico um símbolo político e não um símbolo da tradição religiosa.

Hijáb: cobre apenas os cabelos.


Para ele, o véu só serve para afirmar a separação numa sociedade multicultural como a britânica.

O autor dos Versos Satânicos, bateu mais pesado que o ministro. Segundo Rushdie, o véu lhe dá nojo, pois é uma maneira de rebaixar as mulheres muçulmanas.

O premier Blair lembra bem das dificuldades ocorridas na França em face da iniciativa de se separar o secular do religioso, ou seja, o Estado laico da Igreja.

Blair sabe, também, ser uma temeridade abrir uma guerra aos véus, numa sociedade laica ainda não refeita dos ataques terroristas de 7 de julho de 2005 ocorridos no metrô de Londres e em ônibus de 2 andares.

No caso, essa implicância com os véus é tudo que os alqaedistas e simpatizantes do terrorismo internacional almejam.

Na Inglaterra, as mulheres muçulmanas constumam usar o hijáb e o nikáb.

O hijáb é o véu que cobre apenas os cabelos. Fosse numa mulher ocidental, levaria o nome de foulard, dado pela alta costura francesa.

O nikáb é um véu que só deixa descoberto os olhos.

Nikáb: só não cobre os olhos.


A guerra aos véus usados pelas mulheres muçulmanas é mera implicância do ministro inglês e do escritor Rushdie, ambos especializados em chutar pau-de-barraca.

O uso véu em locais públicos não inibe a integração social. O véu representa um símbolo religioso para os islâmicos, como o kipá para os judeus e o solidéu para o Papa, isto para ficar apenas nas três grandes religiões monoteístas.

IBGF-CBN, 17 outubro de 2006.


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