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ESPIONAGEM. CIA- Central Inteligence Agency:os 007 trapalhões.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch/CARTA CAPITAL

IBGF, outubro de 2006.

O general Hayden, diretor da Cia, e o presidente Bush.



OLHO

Nosso Mundo: Como Ahmadinejad e Chávez passaram a perna na CIA em Nova York. As desinformações sobre Bin Laden e o dossiê sobre a equivocada invasão do Iraque.

MATÉRIA.

1.Introdução: Michael Hayden é o chefão dos 007 da Central Intelligence Agency, a popular CIA.

Hayden lembrou Lula. Ambos se irritaram com arapongas trapalhões. Em razão da “fuga de notícias”, Hayden teve de digerir dois dossiês incômodos para posteriormente explicá-los à Casa Branca.

O primeiro deles tratava da morte natural de Osama bin Laden. O outro, preparado pela concorrente National Intelligence Council (NIC), dizia respeito ao fracasso da doutrina Bush e os resultados catastróficos decorrentes da invasão do Iraque.

Bin Laden: vivo ou morto?


2. Ardil: O presidente do Irã retirou da comitiva, sem avisar, o ministro responsável pelo programa nuclear.

Num dos trechos vazados do dossiê da NIC, consta ter o Iraque se transformado, depois da invasão de americanos e aliados, num laboratório onde os mujaheddin não apenas experimentam novas técnicas de terror, mas exportam as de sucesso, com conseqüências desastrosas.

Para a NIC, em resumo, a implementação da doutrina Bush causou aumento no número de associações terroristas, surgimento de novas gerações de extremistas e constituição de uma rede transnacional de sustentação do terror.

Não bastasse, Hayden teve de exercitar a imaginação para tentar justificar, sempre junto à Casa Branca, a incompetência dos seus 007 na coleta de informações a respeito do que ocorreria na 61ª Assembléia Geral das Nações Unidas.

Em conseqüência desse fiasco, George W. Bush acabou surpreendido por desmoralizantes dribles executados por Mahmoud Ahmadinejad e Hugo Chávez, presidentes do Irã e da Venezuela.

Por partes.

A comédia política que teve como pano de fundo a 61ª Assembléia Geral também serviu para marcar a despedida de Kofi Annan, funcionário de carreira da ONU, e abrir o processo sucessório voltado ao preenchimento do cargo de secretário-geral. A tendência revelada até a véspera do encerramento da Assembléia (sexta feira 29) indica que a escolha não mais recairá em funcionário da própria organização, mas num diplomata pertencente a um dos 192 estados membros.

Com uma surpresa na bagagem, Ahmadinejad desembarcou no aeroporto John F. Kennedy (JFK), de Nova York.

O vôo procedia da Venezuela, onde o presidente iraniano esteve, com a esposa, Azam, e grande comitiva, para retribuir visita de Chávez.

Na delegação iraniana que chegou a Nova York faltava Ali Larijani, o mais aguardado. Daí a surpresa. Ali Larijani é o ministro responsável pelo programa nuclear do Irã, condenado pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas e com prazo vencido para a suspensão das atividades de enriquecimento de urânio.

Na agenda lotada de Larijani, dentre figurões, constava uma reunião com Javier Solana, representante da União Européia para questões de política externa e segurança.

Chavez, na ONU, recomenda livro de Chomsky.



Apesar de não atender à determinação do Conselho de Segurança, a diplomacia européia pretende prosseguir no diálogo com o Irã sobre a questão nuclear, enquanto Bush prefere retaliações econômicas. Na terça 26, o presidente americano deslocou frotas para o Mar Arábico.

Seguindo ordens do presidente iraniano, Larijani rumou de Caracas para casa em Teerã, sem que a CIA notasse. Só depois do desembarque no JFK, os 007 da CIA correram à portaria do suntuoso Hotel Barclay, situado na Park Avenue. Então, leram o fax de cancelamento da reserva de Larijani, enviado de Caracas.

3. Propaganda: Cinco exemplares do livro de Chomsky circulavam há dias pelo hotel de Chávez.

Ahmadinejad preferiu não trocar a suíte presidencial do Barclay (559 dólares a diária) pelo Palácio de Vidro da ONU, por ocasião do pronunciamento de Bush.

Pelo que circulou, preferiu assistir pelo aparelho de televisão gigante e de plasma da suíte presidencial. Tudo com o conforto de um controle remoto para mudança de canais.

o presidente do Irã.



Em face da ausência do iraniano, Bush, consultada a entourage que só conhece a utilidade da luva de pelica para uso em cavalgadas e trato com animais, sentiu-se desobrigado de convidá-lo para o magnífico jantar oferecido aos demais 191 chefes de Estado e de governo presentes à Assembléia Geral.

No almoço do dia seguinte, organizado por Kofi Annan e com Bush de co-patrocinador, o presidente iraniano declinou do convite.

O motivo alegado foi o uso de bebidas alcoólicas no preparo dos alimentos, a contrariar a religião islâmica: o menu anunciava filé à Rossini, preparado com vinho Château Grand Moulinet Pomerol, safra de 2004. Do cardápio constava, além da água mineral, taças de vinho branco Borgonha Pouilly Fuissè e tinto Grand Moulinet Pomerol.

Mais uma vez, a espionagem da CIA não conseguiu se antecipar para informar que Ahmadinejad declinaria do convite. Os passos e a movimentação do cozinheiro de Ahmadinejad indicavam isso desde a véspera, e com o convite já formulado. Ele já havia reservado uma das cozinhas do Barclay e cuidado de compras para o preparo do almoço da delegação do país.

Os arapongas de Hayden também não perceberam, pelo lobby do hotel e entre os assessores diretos de Chávez, a circulação de cinco exemplares de um mesmo livro de Noam Chomsky: Hegemonia ou Sobrevivência – os riscos do domínio global norte-americano, edição de 2003.

Zarwahari: 5 mil sites à disposição da Al Qaeda.



A despeito do componente paranóico de grande parte dos 007 da CIA, todos eles sabem que o americano Chomsky é um crítico de esquerda, libertário e o maior mestre da filosofia da linguagem, e que rege a cadeira no famoso MIT de Boston.

O livro de Chomsky foi citado e exibido por Chávez, no humorístico discurso proferido na Assembléia Geral da ONU.

Depois da menção, a obra de Chomsky saltou do 1.500º posto para o primeiro no ranking dos mais vendidos. As vendas eletrônicas da Amazon dispararam e os vendedores da rede Barnes & Nobles declararam que Chávez ressuscitou Chomsky para a campanha eleitoral ao Congresso americano, marcada para novembro.

Nesta semana de inferno astral vivida pelo diretor da CIA, apareceu, também, a notícia da morte natural de Bin Laden, acometido de tifo: teria bebido água infecta. Para Bush, a morte de Laden só interessa se executada espetacularmente por seus agentes e, pelo que se nota, num momento mais interessante.

A propósito, o jornal francês L’Est Républicain publicou parte do dossiê preparado pelos serviços secretos da França e Arábia Saudita, a afirmar a morte do líder da Al-Qaeda, em 23 de agosto. O presidente francês Jacques Chirac confirmou a existência do dossiê e nada falou sobre o falecimento.

Chirac: confirmou a existência do dossiê sobre a morte de Bin Laden


4.Fiasco: Os 007 de Hayden não conseguiram prever nenhum dos contratempos.

A CIA não conhecia o tal dossiê e o seu departamento de desinformação e despistagens saiu a campo para negar a morte de Laden.

Primeiro, coube ao diretor Hayden proferir um monossilábico não à morte. Depois, os 007 repassaram informalmente relatos sobre o precário estado de saúde e paradeiro de Laden. Para a CNN, o saudita “Osama está vivo, mas gravemente ferido”. Para a rede CBS, ele está vivo, mas sua saúde é precária, a ponto de não poder ser removido.

Depois da tragédia das torres gêmeas, em dezembro de 2001, a rede Al-Jazzira de televisão exibiu um vídeo com imagens e mensagem de Bin Laden. Depois de uma análise aprofundada, e a escolha pela CIA de uma versão para divulgar, afirmou-se que ele estava gravemente enfermo e com poucos dias de vida.

Em 2004, a mesma Al-Jazzira difundiu uma fita contendo gravação recente. Numa nova análise, a CIA voltou à tecla da morte iminente, com base na voz fraca e cansada de Bin Laden.

O certo é que nenhuma outra gravação apareceu e, nos últimos tempos, Al-Zawahiri, o ideólogo da Al-Qaeda, tem aparecido com freqüência em vídeos divulgados pela internet e televisão. Para ter idéia, mais de 5 mil sites da web divulgam mensagens do terrorismo fundamentalista.

No Iraque e para fontes européias de inteligência, 40 mil insurgentes islâmicos estão envolvidos em combates e ações violentas contra a sociedade civil. Muitas das organizações são inspiradas e financiadas pela Al-Qaeda.

Num quadro da situação, são sete as organizações sunitas mais conhecidas e em combate: Conselho Al-Shura, Exército Ansar al-Sunnah, Exército Al-Rashidin, Exército de Maomé, Exército Al-Fatihin, Brigadas da Revolução de 1920 e Exército Islâmico no Iraque.

Kofi Annan, arruma as malas para deixar ONU.


Quanto ao local onde se esconderia Bin Laden, na opinião dos 007 franceses, estaria na zona tribal paquistanesa, na fronteira com o Afeganistão. Para a CIA, Laden fica na região do Waziristão do Norte. Já para os arapongas do Paquistão, suspeitos de ligações com os talebans e a Al-Qaeda, estaria entre a China e o Afeganistão.

Para os beduínos, Osama Bin Laden é um fantasma visto em toda parte. Na última vez, em carne e osso, ele teria sido avistado no distrito paquistanês de Bajur (província de Kunar), num jeep norte-americano.


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