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ESPIONAGEM: Um Mundo de 007.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch/CARTA CAPITAL

IBGF, setembro 2006.




O segundo homem da Central Intelligence Agency (CIA) afirmou que espião(ã) é a segunda profissão mais antiga do mundo. Essa mesma certeza não tem Walter Laqueur, renomado estudioso do terrorismo internacional.

Na obra intitulada A World of Secrets (Um Mundo de Segredos), publicada em 1985, Laqueur sustenta que a prostituta e o espião têm igual antiguidade laborativa. Com propriedade, acrescenta “que a profissão de espião sempre foi a mais problemática do mundo”. Laqueur não esqueceu de lembrar as mudanças de papéis, ou seja, quando a prostituta vira espiã e vice-versa.

Apesar de inúmeros problemas, muitas histórias reais impressionam em termos de eficiência, de trapalhadas e até de tragédias, como a eliminação do pacífico brasileiro Jean Charles, barbaramente executado no metrô de Londres por covardes e despreparados agentes de inteligência da Scotland Yard.

O Sunday Times, semanário inglês sempre bem informado em termos de espionagem internacional, levantou uma impressionante ação do Mossad, que congrega a inteligência civil de Israel.

Um grupo especial do Mossad conseguiu, em fevereiro de 1999 e durante os funerais do rei Hussein da Jordânia, recolher uma amostra de urina do presidente sírio Hafez Assad. Por meio de modificações no banheiro do palácio real de Amã e colocação de um recipiente estéril na tubulação, o material acabou recolhido.

Encaminhada a urina ao laboratório do hospital Tel Hashomer de Tel-Aviv, descobriu-se que o inimigo Assad estava com o pé na cova. Apelidado de Leão de Damasco, Assad padecia de câncer de bexiga, era diabético e havia sofrido um infarto fazia pouco. Assad faleceu em 10 de junho de 2000, sem surpresa para Israel, embora poucos meses depois ocorresse uma nova Intifada, não antecipada pelo Mossad.

No campo das trapalhadas, o M16 e o M15 de Sua Majestade britânica, respectivamente, serviços de inteligência interna e externa, conquistaram a condição de primus inter pares (o primeiro entre os seus pares) dentre os serviços de inteligência.

Em julho deste ano, com a Copa do Mundo em curso e a seleção inglesa ainda na disputa, os 007 britânicos invadiram, na periferia de Londres, uma pequena casa onde moravam dois muçulmanos.

A dupla islâmica seria responsável pela execução de um plano terrorista da Al-Qaeda, voltado a detonar uma bomba suja: antraz ou agente químico letal.

Essa presumida ação aconteceria em 7 de julho, dia do primeiro aniversário do trágico ataque terrorista no metrô londrino. A tal bomba seria arremessada num pub lotado de torcedores ingleses, ainda no primeiro tempo da partida.

Os muçulmanos foram interrogados e o domicílio revirado. Depois de uma semana de prisão, foram soltos, com pedidos de desculpas: um informante com problemas mentais havia sido o denunciante.

Depois de meio século de Guerra Fria e sob o impacto de ações terroristas espetaculares (Nova York, 11 de setembro de 2001; Madri, 11 de março de 2004; Londres, 7 de julho de 2005), os 007 passaram a poder tudo: prender, seqüestrar, torturar, grampear, violar correspondências, soltar boatos, mentir e matar.

Muitas vezes, quando são chamados pela Justiça, invocam segredo de Estado. O certo é que pouca coisa mudou depois da queda do Muro de Berlim: a CIA tem o mesmo número de agentes.

A Lubianka, prédio-sede da KGB que ficou conhecido como palácio do horror, continua a abrigar os 007. A sigla mudou para FSB e os separatistas chechenos viraram a bola da vez. Na Bielo-Rússia, o serviço secreto continua igual, mantendo o nome KGB.

A hegemonia dos EUA gerou uma certa displicência da CIA, aproveitada pelos terroristas da Al-Qaeda. No dia 10 de setembro de 2001, a National Security Agency tinha interceptado uma conversa telefônica mantida entre dois terroristas da organização: “Amanhã é o dia D”, disseram.

Apenas no dia seguinte, depois da derrubada das torres e de parte do Pentágono, a fita contendo as gravações foi processada. Na ocasião, a CIA e o FBI contavam com apenas 40 homens que conheciam o árabe. Hoje já são 200 e, até agora, a captura de Osama bin Laden mostra-se incerta, apesar da ajuda por parte da agência secreta do Paquistão, que atende pela sigla ISI.

Os serviços secretos ocidentais procuram disfarçar as derrotas para o terrorismo com falsas notícias de operações sobre desbaratamentos de planos audaciosos. Com isso, mantêm a sociedade civil temerosa e anestesiada diante de permanentes violações aos direitos individuais.

No Oriente, a arapongagem que mais cresceu foi a chinesa, tão secreta a ponto de não ter nome. Seu responsável é Hu Jintao, chefe do Partido Comunista chinês. Faz parte desse serviço de inteligência um núcleo de 007 a cuidar, no exterior, de dissidentes políticos e religiosos, em especial os adeptos do Falun Gong, um movimento de inspiração budista proscrito da China.


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