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PCC começa a submergir. Suspeita de acordo com o Estado.

Por FOLHA ONLINE- Folha de S.Paulo

Da Redação.
Das agências internacionais.
Da Folha Online.
Da Folha de S.Paulo.
O governo estadual já considera encerrada onda de rebeliões em São Paulo. Apesar disso, ainda houve confrontos na madrugada desta terça. Em Osasco, segundo a polícia, três homens foram mortos e um quarto, baleado, após terem metralhado o fórum e uma base comunitária da PM.

Outros dois homens foram mortos pela Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), por volta das 2h, no bairro Tranqüilidade, em Guarulhos. Com eles, os PMs apreenderam seis coquetéis molotov.

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A polícia afirma que todas as mortes ocorreram em confronto. Também foram registrados ataques em Campinas, Peruíbe e Tremembé, sem feridos. Não foram registrados novos casos de queimas de ônibus.

Acordo.

Por telefone celular, segundo a "Folha de S.Paulo", líderes da facção criminosa determinaram a presos e membros do PCC (Primeiro Comando da Capital) que estão fora das cadeias que interrompessem a onda de violência. Segundo a "Folha" apurou, o preso Orlando Mota Júnior, 34, o Macarrão, foi um dos principais interlocutores do governo do Estado de São Paulo. Ele e outros líderes do PCC teriam dado a ordem de cessar os atentados.

O governo negou a negociação com a organização. "Não se negocia com bandido", disse ontem o diretor do Deic (Departamento de Investigações Sobre o Crime Organizado), Godofredo Bittencourt.

Mais ataques. Apesar da ordem, os ataques continuaram no início desta terça. Uma bomba caseira explodiu num Gol da Polícia Civil em frente à delegacia de Tremembé (138 km a nordeste de São Paulo), por volta das 0h. Ninguém se feriu. Segundo a polícia, uma testemunha viu um homem colocar o explosivo sobre um dos pneus traseiros da viatura. A explosão danificou totalmente o carro.

Outro ataque ocorreu em Osasco. Dois ataques simultâneos atingiram o Fórum e uma base comunitária da Polícia Militar na cidade da da Grande São Paulo à 0h30.

Um grupo de homens num Fiat Uno escuro furou um bloqueio na rua Daniel Expedito Egídio, no Conjunto dos Metalúrgicos, montado para proteger os policiais de possíveis ataques, e depois atacou a base comunitária com tiros e uma granada. Segundo a Polícia Civil, a granada explodiu próximo à porta da base, sem causar grandes danos. Os três tiros disparados pelos criminosos estilhaçaram os vidros da janela, mas não atingiram ninguém. Nenhum dos policiais que estava na base se feriu. Os criminosos fugiram na direção de Carapicuíba.

Um pouco antes, criminosos ateram fogo à fachada do 1º DP de Peruíbe (130 km ao sul de São Paulo). Também não houve vítimas. Segundo a polícia, o fogo começou em um sofá que estava em frente à delegacia. A delegacia estava fechada quando ocorreu o incêndio. O Corpo de Bombeiros foi acionado e apagou o fogo rapidamente.

Ainda na noite de segunda, por volta das 22h, um grupo de homens atirou contra os prédios de um condomínio da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo), na rua Jornalista Pena Branca, na Vila Amália (zona norte de São Paulo).

Os disparos não atingiram ninguém. Os criminosos fugiram correndo e não foram presos. Segundo a Polícia Militar, a maioria dos moradores do condomínio é formada por policiais civis e militares.

São Paulo recusa ajuda.
No início da noite de segunda, após uma reunião, o governador Cláudio Lembo (PFL) e o ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos anunciaram que o governo federal não vai, por ora, colaborar diretamente com as ações das forças de segurança estaduais. A rejeição a essa ajuda pelo governador vem desde o início dos ataques, foi reafirmada pelo comandante da PM na entrevista em que falou dos boatos e, por fim, oficializada pelo próprio Lembo, falando à imprensa com o ministro a seu lado.

Thomaz Bastos afirmou, no entanto, que uma solicitação de ajuda por parte do governo estadual pode ser feita a qualquer momento, e que será prontamente atendida. Segundo o ministro, que elogiou muito a atuação das forças estaduais de segurança, já ocorre um trabalho de intercâmbio de inteligência com a Polícia Federal.

A oferta incial do ministro incluía 4.000 homens da Força Nacional de Segurança. Também se discutiu o apoio do Exército. Lembro declinou das duas opções.

Fim das rebeliões A Secretaria da Administração Penitenciária anunciou às 21h de segunda-feira que terminaram todas as rebeliões em unidades prisionais do Estado de São Paulo. Desde o início da crise, elas chegaram a ser 73. Todos os reféns foram soltos; nove detentos morreram.

Em entrevista à Globo News, o governador Lembo negou que tenha havido algum acordo com os detentos (e, por extensão, com o PCC) para que as rebeliões terminassem.

"Toque de recolher"

O medo e a tensão levaram estabelecimentos localizados em ruas de comércio tradicionais, como na região de Pinheiros e no centro de São Paulo, a baixar as portas e dispensar seus empregados ainda no meio da tarde. Como precaução, empresas e escolas também encerraram o expediente mais cedo.

O paulistano, que já tivera dificuldades para ir trabalhar, passaria a enfrentar uma batalha maior ainda para conseguir condução ou dirigir até sua casa: às 18h, o congestionamento nas vias da cidade atingia 212 km, contra a média de 58 km. O recorde anterior era de 187 km. O rodízio de veículos foi suspenso - medida que será mantida nesta terça-feira.

O pânico causado pela ameaça de novos ataques do PCC mudou a rotina econômica de São Paulo. Mesmo grandes empresas, como Microsoft e Samsung, dispensaram os funcionários. Os shoppings Iguatemi e Market Place fecharam as portas às 16h. A rede de supermercados Pão de Açúcar liberou seus funcionários - ainda que tenha havido um aumento no número de consumidores em pelo menos uma de suas lojas.

O próprio Tribunal de Justiça comunicou que o expediente em todos os fóruns do Estado encerraria mais cedo, às 17h.

Universidades e faculdades suspenderam as aulas noturnas e devem manter a medida nesta terça. A direção da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) argumentou "situação de insegurança generalizada na cidade".

De acordo com nota divulgada, a suspensão das atividades teve início às 15h nas quatro unidades da capital, e elas só serão retomadas quando "forem restituídas condições adequadas ao funcionamento da universidade". Em Higienópolis, a Escola Carlitos suspendeu as aulas hoje e amanhã. Duas escolas da mesma região - Rio Branco e Sion - mudaram sua rotina e criaram esquemas especiais de segurança.

Depois do pânico, a desolação: avenida Paulista fica deserta às 20h.

Em contraste com o tumulto e o trânsito do "rush antecipado", já por volta de 20h algumas regiões da cidade que costumam ter forte movimento ao longo da noite estavam vazias - como a rua Augusta. Às 23h, nas avenidas Rebouças e Faria Lima, duas das mais importantes vias da zona oeste, praticamente não passavam carros.

Em menor escala, o mesmo pânico manifestou-se em outras cidades do Estado - como as da Baixada Santista, onde o comércio fechou - que também tiveram ataques a autoridades e rebeliões, e dezenas de municípios do interior do Estado, que viveram rebeliões nos presídios estaduais.

A ação coordenada dos criminosos se estendeu por outras cidades do Estado, onde foram registrados ataques a policiais. A violência também ultrapassou as fronteiras paulistas. Foram registrados ataques em Paraná, Mato Grosso do Sul e Bahia.

Reação do PCC.

As ações, segundo o comando da segurança pública de São Paulo, são uma reação da facção criminosa PCC à transferência de líderes da organização para a penitenciária 2 de Presidente Venceslau (a 620 km da capital), complexo de segurança máxima idealizado para abrigar integrantes do crime organizado numa situação de isolamento total.

Entre os 765 detentos transferidos para o presídio está Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, considerado o principal chefe do grupo e tido como mandante dos ataques do PCC às autoridades.


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