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VIOLÊNCIA POLICIAL.

Por FOLHA ONLINE- Folha de S.Paulo

O relatório Direitos Humanos no Brasil 2005, divulgado anteontem (5/12/2005) por entidades ligadas a movimentos sociais, traz dados alarmantes sobre a violência policial.

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Mesmo em comparação com países cuja polícia é tida como violenta, como a África do Sul, o Brasil apresenta índices inaceitáveis.

No ano de 2004, as polícias do Rio de Janeiro, de São Paulo e de Minas Gerais mataram cinco vezes mais pessoas do que as polícias de todos os Estados norte-americanos, algumas das quais consideradas violentas para os padrões de países desenvolvidos.

No Rio de Janeiro, onde os números oficiais são mais eloqüentes, morreram em confronto com a polícia 983 pessoas no ano passado.

A cifra equivale a 10% do total de homicídios dolosos cometidos no Estado. E, assim como no restante do país, a maioria dos mortos é constituída por jovens negros moradores das regiões pobres dos centros urbanos -estrato de onde provém grande parte dos criminosos violentos.

São diversos os fatores que contribuem para essa situação. Entre eles figuram o baixo investimento e a carência de políticas sistemáticas para a segurança, que contribuem para deteriorar as polícias, favorecendo o aumento, nessas corporações, da incidência de práticas violentas e corruptas.

Não por acaso, em 1980 registravam-se 11,7 homicídios por 100 mil habitantes no Brasil e, em 2002, essa taxa atingiu 28,5 por 100 mil.

De par com essa progressiva degradação, observa-se um endosso tácito de setores da população à violência policial, como se ela fosse não um desvio a ser condenado e reparado, mas uma "solução" contra o aumento do número de criminosos, que, presos, apenas onerariam o Estado.

Nos últimos anos, esforços movidos por organizações da sociedade civil e formuladores de políticas para o setor têm contribuído para sedimentar a idéia de que é preciso aliar a eficiência policial a programas sociais e a noções básicas de direitos humanos. Mas os números do relatório demonstram que ainda há um longo caminho a percorrer.


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