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Operação ilegal para resgate de seqüestrada pelas FARC

Por IBGF/WFM

A manobra de decolagem se inicia em frente à Rico, empresa de táxi aéreo vizinha a porções da mata amazônica que cercam a cidade de Manaus. Precisamente às 14h30, segundo o Departamento de Avião Civil (DAC), uma hora e meia depois de levantar vôo na capital do Amazonas, a aeronave militar deixou o espaço aéreo brasileiro em direção a Caiena, Guiana Francesa. Aeronave que decolou rumo ao Brasil de Evreux, base aérea militar do Departamento de Defesa da França, situada a oeste de Paris. Dentro do Hércules C-130, à uma da tarde do domingo 13 de julho, nove de 11 franceses que, para se usar aqui linguagem diplomática, foram “convidados” a deixar o Brasil. Outros dois continuaram em Manaus pelo menos até a terça-feira 15, quando deles se perdeu a pista.
Ao levantar vôo o avião militar, francês ainda que não portasse identificação da origem em sua fuselagem, impediu, ao menos momentaneamente, que se alastrasse um dos mais graves incidentes de que se tem notícia nas relações recentes de Brasil e França.
Naquele momento, em Londres, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, acompanhava, com preocupação, a evolução dos fatos. O presidente da República, Lula, foi informado dos contornos e conteúdo das operações.

Se amainou a crise no território diplomático, a partida do avião não pôs fim à trama internacional iniciada, quanto a este capítulo, 96 horas antes, na quarta-feira 9. Então, o Hércules C-130 aterrissava no Eduardo Gomes, em Manaus. No início da madrugada o avião havia partido de Evreux e feito uma escala em Cabo Verde, África.
Ao levantar vôo o avião militar francês despachou o condimento mais visível e apimentado da crise, mas deixou para trás, além de uma história que ainda estava longe de chegar a seu final, uma suspeita que se tornou mais forte a cada novo detalhe revelado na trama.
Eis a prova.
Domingo 13, aminutos de uma da tarde. Para CartaCapital, Raimundo Valentim fotografa o Hércules C-130 minutos antes de o avião levantar vôo para deixar o Brasil
Suspeita compartilhada por pouquíssimos porque são pouquíssimos, e de um nicho reservado de poder, os brasileiros que conhecem essa trama em suas múltiplas pontas. A suspeita era de que o Hércules francês desceu no Brasil carregado de armas. Armas que seriam trocadas em território brasileiro – por conta da presença de personagens e organizações de vulto nesse enredo.
Personagens e organizações que participam da trama por motivos díspares. Uma personagem é a vítima: Ingrid Betancourt, 41 anos, senadora que renunciou ao cargo para disputar a Presidência da Colômbia e foi seqüestrada há um ano e meio.
Ingrid, cidadã de dupla nacionalidade – é também francesa – filha de Gabriel Betancourt Mejía, ex-ministro da Educação e ex-diretor da Unesco na França, e de Yolanda Pulecio. Criada num luxuoso bairro de Paris, sempre cercada por amigos do pai do porte de Gabriel García Márquez, Pablo Neruda e Fernando Botero, como informa em seu livro Coração Enfurecido – Objetiva –, mais de 200 mil exemplares vendidos na França, Ingrid voltou à Colômbia e entrou na política no início dos anos 90.
Cientista política, formada também em Relações e Comércio internacionais, Ingrid foi assessora dos ministérios da Fazenda, da Indústria e Comércio, deputada entre 1994 e 1998 e senadora eleita em 1998.
Ingrid Betancourt foi seqüestrada pela organização que está na outra ponta desse enredo, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, as Farc.
A candidata à Presidência pelo Partido Verde do Oxigênio e sua chefe de campanha, Clara Rojas, foram capturadas a 23 de fevereiro de 2002, em San Vicente del Caguán, parte de uma zona de 42 mil quilômetros quadrados declarada neutra pelo governo até três dias antes do seu seqüestro. Um mês depois do seqüestro da filha, Gabriel Betancourt Mejía morreu de complicações respiratórias em Bogotá, aos 84 anos.
Pelo que acompanhou e apurou CartaCapital no território do Amazonas, e pelo que se certificou do que se conhece nos mais altos e reservados escalões em Brasília, os 11 franceses que chegaram ao Brasil no Hércules C-130 tinham uma missão: concluir, a partir do território brasileiro, a libertação, negociada, de Ingrid Betancourt.
A operação ganha tinturas de escândalo internacional quando, em que pese a justeza da causa, o avião militar desembarca no Brasil sem que se conheça, ao menos nos círculos oficiais de governo, os reais motivos da sua presença.

Pior. Operação que no decorrer de 96 horas ampliou a crise quando os integrantes do Comando, ao exibir passaportes diplomáticos e invocar a correspondente imunidade, impediram que a Polícia Federal vistoriasse o que transportava o Hércules C-130.
A crise se tornou palpável, e grave, com o desenrolar dos fatos. O primeiro deles é a composição força-tarefa e sua dimensão. No comando, ao menos da porção diplomática da missão, Pierre Henri Guignard, que vem a ser o chefe-adjunto do gabinete do ministro das Relações Exteriores da França, Dominique de Villepan.
Pierre Henri Guignard é o conselheiro para América Latina do Ministério das Relações Exteriores da França. Os demais integrantes, todos homens na faixa dos 30 e 40 anos, cabelos curtos, corpos nitidamente bem preparados.
A partir das identificações o Setor de Inteligência levantou dados e conclui a análise sobre integrantes do Comando: formação militar, treinamento especial para ações militares e, pelo menos um deles com histórico de ações reservadas, inclusive nos Estados Unidos.
Compunham a força-tarefa, além do quarto homem do chanceler Villepan, os senhores Antoine Cardillo, Dominique Desugny, Jacques Drussant e Yves Lefarge. Integravam ainda a missão, estes declarando-se tripulantes ou mecânicos, Giles Charpentier, Chevalier, Bedu, Domenique Cerisier, Saussard e Campion.
No Brasil agregaram-se ao grupo o segundo secretário da embaixada da França, Narc Siegfried Efchin e o cônsul honorário da França em Manaus, Daniel Adolphe Rosenthal. Na quinta-feira 17, Rosenthal travou o seguinte diálogo com CartaCapital:
– Estivemos aí em Manaus por quatro dias e CartaCapital fotografou um avião militar da França estacionado no Eduardo Gomes. A Polícia Federal os convidou para um depoimento e...
– Eu não tenho as informações a respeito. – Mas o senhor foi junto até a delegacia da Polícia Federal! – Sim, fui, mas não tive informação específica sobre o que se passava...
– Por que 11 cidadãos da França, com passaporte diplomático, estavam num avião militar que não pôde ser revistado?
– Bem... acho melhor o senhor ligar para a própria embaixada da França.
– Por que o senhor não fala?
– É uma questão de hierarquia.
– Bem, nós dois sabemos do que se trata, por que não falar?
– Hierarquia. Melhor o senhor falar na embaixada. – Com o Narc Siegfried Efchin, o segundo secretário?
– Isso mesmo. Com o Marc. É Marc, com M. Fatos. No início da tarde da quarta-feira 9, um policial federal, de plantão no terminal 2 do Eduardo Gomes, estranhou a enorme presença do Hércules C-130 recém-estacionado numa pista lateral do aeroporto, em frente ao hangar da Rico Linhas Aéreas. O policial desconfiou e puxou o primeiro capítulo desse enredo.
Estranha era a presença porque o normal seria uma aeronave militar estacionar na base aérea, não num aeroporto civil. Ainda mais sem identificação visível do país de origem.
Ingrid Betancourt
Antes do seqüestro, a ex-candidata à Presidência da Colômbia
Estranhíssimo a aeronave militar de 34 toneladas – quando vazia, 79 toneladas se carregada –, 39 metros de comprimento, 11 de altura, 40 de envergadura e 162 metros quadrados de asas, estacionada ao lado de pequenos aviões.
Estranhíssimo, ao lado de pequenos Sêneca e Carajá, a aeronave militar com capacidade para o transporte de 90 soldados, além de cinco tripulantes, desembarcar no Brasil 11 senhores portadores de passaporte diplomático.
No aeroporto, um policial chamou outro e os dois, que falam espanhol, fizeram o primeiro contato com o Comando francês. Em Manaus, durante três dias, ao conversar com policiais, pilotos, funcionários do DAC, empregados da companhia aérea Rico, um padre na Diocese de São Paulo de Olivença e funcionários do Hotel Flamengo, ainda em São Paulo de Olivença, CartaCapital reconstituiu parte das ações do Comando francês no Brasil.
Abordados pelos policiais federais no “Eduardinho”, o terminal 2 do Eduardo Gomes, os franceses informaram: – Pedimos autorização para um pouso técnico, para abastecer a aeronave, e nos deram a autorização. Estamos a caminho de Caiena.
Dito isso, receberam um visto para dez dias de permanência. O abastecimento se fez no aeroporto civil, ao contrário da praxe de aviões militares que, ao atravessar o Atlântico, reabastecem em bases também militares.
Os franceses hospedaram-se no Hotel Tropical. No dia seguinte, por indicação do cônsul Rosenthal, o quarteto Guignard, Lafarge, Drussant e Cardillo fretou, por US$ 5.900, um Carajá da Rico Linhas Aéreas. Matrícula do avião: PT-ELW. O comandante Cleiton, da Rico, conversou com o quarteto durante o vôo. Ouviu de um deles que o retorno a Manaus seria no dia seguinte “depois de pegar e trazer quatro pessoas”.
Cleiton, então, temeu tratar-se de um seqüestro. Deixou os franceses no local combinado, o município de São Paulo de Olivença, próximo à fronteira, distante 973 quilômetros da capital e voou para Tabatinga – a 1.100 quilômetros de Manaus – com a promessa de retornar para buscá-los no dia seguinte. Assim o fez.
Na sexta-feira 11, vindo da selva, o quarteto francês chega a São Paulo de Olivença numa pequena lancha, conhecida como “voadeira” na região. Às 16h30, a decolagem para Manaus. Na chegada, policiais federais à espera.
A Polícia Federal mantém oito bases na fronteira. Bases montadas em meio à selva, uma delas em uma aldeia indígena. Índios têm sido grandes aliados do Serviço de Inteligência brasileiro.
Detectada a ação dos franceses, a polícia entrevistou personagens contatados na região e levantou os lugares por onde passaram os integrantes da força-tarefa. Três dias depois, a história se revelaria mais ao norte de São Paulo de Olivença.
Em Tabatinga, município que faz fronteira com Letícia e a Colômbia em meio a uma avenida, Astrid Betancourt, irmã de Ingrid, e Juan Carlos Pérez, marido da candidata à Presidência da Colômbia seqüestrada, nitidamente assustados, se abrem e relatam em detalhes o que viviam.

Revelam o fracasso de um contato marcado para a selva. Astrid e Juan Carlos, como prova, entregam à Inteligência um bilhete onde eram informados sobre a promessa das Farc de devolver Ingrid Betancourt.
Mais ao sul, em São Paulo de Olivença, ao mesmo tempo, surge um outro bilhete. Em mãos do padre Pedro – personagem linhas adiante – e do comandante do destacamento da PM. No bilhete, os franceses que passaram por São Paulo de Olivença informavam:
– Estivemos aqui, mas o encontro não se completou.
Retornamos a Manaus. Estamos no Hotel Tropical, telefone 92-659.5000.
O porquê de o contato não se ter completado é algo que o tempo e futuros capítulos dessa história desvendarão, mas restam, pelo menos, duas hipóteses.
Uma delas diz respeito à experiência de 40 anos das Farc em operações do gênero. Prática não incomum é testar antes de completar uma operação.
A outra hipótese, também ligada à longa vida da guerrilha, aponta para algo talvez óbvio: se a Inteligência agiu do lado de cá da fronteira é seguro que a Inteligência do lado de lá da fronteira, embora infiltrada cá, agiu de igual forma. E percebeu o que se passava.
A São Paulo de Olivença o quarteto francês chegou “por volta das onze e meia da quinta-feira 10”, informa um funcionário da Rico em São Paulo de Olivença. Reginaldo, o encarregado da empresa, completa:
– O Pierre Henri e os outros três foram embora no dia seguinte, a sexta-feira 11, e saíram daqui umas quatro e pouco da tarde. Como na vinda, pararam em Tefé para reabastecer... mas é melhor o senhor se informar com a Rico em Manaus...
No Hotel Flamengo, antes de recomendar que se procurasse “o plantonista João Leite, que recebeu os quatro franceses”, o também funcionário e também João contou: – O Pierre Henri era um deles. Eles chegaram num dia e voltaram no outro. Mas, como aqui só tem vôo, que é da Rico, na terça e no sábado, acho que eles vieram de avião fretado.
Em São Paulo de Olivença ou arredores deveria ter sido feito o contato. Peça central o padre da Diocese do Alto Solimões, Pedro César do Amaral Vieira, 40 anos.
O padre, pelo que apurou CartaCapital, seria contatado na extensa teia de negociações que inclui Astrid, a irmã de Ingrid, funcionária da embaixada da França em Bogotá, e Juan Carlos Pérez. Na quarta-feira 16, na embaixada da França em Bogotá, informava-se que Astrid estaria “ausente por alguns dias”.
Na segunda-feira 14, de Manaus, CartaCapitalconversou com o padre Pedro, pilar importante nas negociações. O homem da igreja viu-se, por conta de sua posição, obrigado a omitir e tergiversar.
Detectado pela Inteligência da Polícia Federal o papel do padre, Pedro César passou a ser “monitorado”, como se diz no linguajar do setor. Do outro lado da negociação, as Farc, que até o fechamento desta edição, na madrugada da sexta-feira 18, mantinham Ingrid Betancourt como refém.
Negociadores, além de Astrid, outro padre, Gonzalo Arango, pároco em Letícia. Talvez inspirado pela presença do colega, na conversa com CartaCapital o padre Pedro, por mais de três vezes, negou. E tergiversou:
– Os franceses me pediram que eu, ao receber um padre que chegaria pelo rio, de barco, imediatamente o levasse ao Hotel Flamengo.
– Mas quem chegaria no barco? A senadora Ingrid? – perguntou CartaCapital.
– Não, o padre –respondeu o padre.
– Então o senhor não é o contato nem foi visitado pela Polícia Federal?
– Bem, recebi a visita da polícia, mas era a polícia civil – desconversou padre Pedro, que recebeu mesmo foi a Polícia Federal.
O que o padre Pedro não poderia explicar é por que, em plena selva amazônica, deveria encontrar um padre colombiano que subitamente irrompe de um rio e, em seguida, levá-lo a quatro franceses – um deles médico –, que também de repente desceram dos céus.
Tornou-se ainda mais evidente, quanto mais se conheciam os detalhes da trama, o por que de o Hércules, ao contrário de descer na base aérea militar, ter estacionado num aeroporto civil, exatamente em frente ao hangar da Rico. Há um vazio nessa história, e CartaCapital não o preenche porque até a madrugada da sexta 18, no coração da selva amazônica, a trama prosseguia.
O vazio nesse enredo: como, e exatamente onde, seria feita a possível troca? A recusa em permitir que o serviço de Inteligência do Brasil inspecionasse a aeronave apenas ampliou a suspeita quanto ao que transportava o Hércules C-130.
Na sexta-feira 11, depois de decolar de São Paulo de Olivença e reabastecer em Tefé, o Carajá da Rico aportou no Eduardinho com os quatro franceses. Precisamente às 19h45. Como o Hércules seguia estacionado e o Comando hospedado no Hotel Tropical, o governo brasileiro avançou as peças. Os 13 franceses, incluídos o cônsul Rosenthal e o segundo-secretário da embaixada, Siegfried Efchin, foram levados à Superintendência da Polícia Federal, à avenida Domingos Jorge Velho, 40, conjunto D. Pedro II.
Todos, mais uma vez, exibiram passaportes diplomáticos e alegaram razões de Estado para não permitir a vistoria no Hércules C-130. Mas, aqui e ali, deixaram escapar frases e pontas da missão que ajudariam a Polícia Federal a consolidar suas investigações.
Os franceses, todos, se recusaram a ser “ouvidos” – a expressão que se usa para interrogatórios em casos delicados como este. O Comando foi liberado e retornou ao bunker no Hotel Tropical.
No domingo, encerrada a tensa etapa de confabulações na rota Tabatinga–São Paulo de Olivença–Manaus–Brasília– Londres (e possivelmente Paris), os 11 integrantes do Comando francês se viram obrigados a deixar o Brasil. Descobriu-se depois que dois deles haviam permanecido.

Os contornos da operação – batizada, não se sabe por quem, como 14 de Julho, por motivo que se verá adiante – são definitivamente explosivos, para se usar expressão de importantíssimo integrante do governo federal.
Primeiro, tem-se o desembarque de um Comando francês em território brasileiro sob falso pretexto. Segundo, impede-se a vistoria a um avião militar suspeito. Terceiro, ao se saber quem está no outro lado das negociações, as Farc, pouco resta para que se avance na especulação quanto ao conteúdo do Hércules C-130: armas e equipamentos para uso da guerrilha.
Segue a lista de alta octanagem. Agora, quanto a terceiros envolvidos: a ação francesa, por certo, agride, ao menos oficialmente, o governo colombiano ora enredado em feroz e ineficaz combate às Farc.
Por fim, mas não por último, a ação do Comando se choca frontalmente com a política do governo dos Estados Unidos, que já empatou US$ 3 bilhões na “Operação Colômbia” e, cada vez mais, envia “assessores militares” para o combate à guerrilha; ainda que os norte-americanos, em defesa dos seus, não conheçam fronteiras nem limites, como é do conhecimento até mesmo das plantas e grãos de areia mundo afora.
O Brasil, por conta da rápida e pronta ação do setor de Inteligência da Polícia Federal na Amazônia e decisão de alguma poderosíssima caneta em Brasília – ou Londres –, livrou-se, ao menos momentaneamente, de entrar para a história como uma espécie de Uganda.
Na madrugada da sexta-feira 18, os riscos – para todos os envolvidos – não estavam afastados.

Antes de tudo para Ingrid Betancourt, respeitada em toda a Europa e em outros continentes, onde é alvo de campanhas por sua libertação por conta de sua desabrida luta contra a corrupção e o narcotráfico na Colômbia. Ingrid, mãe de Mélanie Delloye, também a filha uma militante.
Com constante monitoramento – de partes a partes –, seguia a trama na madrugada da sexta. Não se sabe quem batizou como “Operação 14 de Julho” a ação do Comando francês. A data nacional, como se sabe, comemora a Revolução Francesa. Data para a qual, talvez, se buscava um épico desfecho para o seqüestro.
Ainda que menos provável nesse capítulo, dados os atropelos e internacionais trapalhadas da “Operação 14 de Julho”, o desfecho poderia se dar a qualquer momento em plena selva amazônica.

o CÉLEBRE “RESGATE EM ENTEBE”
Como em 1976 um Comando de Israel invadiu a Uganda de Idi Amin Dada para libertar 103 passageiros seqüestrados

Dentre operações de resgate em um outro país não autorizadas, uma se tornou célebre. Na Uganda de Idi Amin Dada. Aeroporto Internacional de Entebe. O soldado Amos Goren anuncia: “Todos no chão. Somos do Exército Israelense”. Era o fim do seqüestro de 103 dos passageiros do Airbus A 300 da Air France, vôo 319, Tel-Aviv–Paris, escala em Atenas.
O seqüestro começou oito minutos após a decolagem da Grécia. Executado, dentro do avião, por quatro terroristas – dois com passaportes de países árabes, e outros dois, uma mulher do Equador e um homem com passaporte do Peru, membros do grupo terrorista alemão Baader-Meinhof, descobriu-se depois. Todos haviam, originalmente, embarcado no Kuwait. No vôo 763 da Singapore Airlines.

No total eram 13 os envolvidos no seqüestro, oito deles presentes em Entebe. A ação, iniciada em 27 de junho de 1976, depois do sucesso no desfecho tornou-se tema de livros e filmes – como o Resgate em Entebe.
“Operação Thunderball ” era a denominação inicial para a ação que em 1976 se tornaria mundialmente conhecida como “Operação Yonatan”.
Yonatan Netanyahu, o comandante da operação de resgate e o único militar israelense morto na ação.
Yonatan era irmão de Binyamin Netanyahu, que duas décadas depois se tornaria primeiro-ministro de Israel.

Libertação
Sucesso na "Operação Yonatan"
Os seqüestradores exigiam a libertação, até as 14 horas de 1º de julho, de 53 terroristas detidos em prisões da França, Alemanha Ocidental, Suíça, do Quênia e de Israel. Se não fossem atendidos, ameaçavam, explodiriam o avião com os 103 passageiros. Iniciadas as negociações, o prazo foi estendido até 4 de julho.
O comando geral da operação israelense, que no total envolveu 200 dos mais bem treinados soldados de forças especiais, dois Boeing 707 e quatro aviões militares escoltados por quatro Phantom F-4, foi do general Dan Shomron. Yonatan comandou-a na ação em Uganda. Um dos Boeing, transformado em hospital, estacionou na vizinha Nairóbi, Quênia. Num dos aviões militares, além de dois jeeps, Yonatan transportou uma cópia do famoso Mercedes preto do ditador Idi Amin Dada. Em outros dois aviões, tropas encarregadas de destruir os soviéticos Mig da Força Aérea de Uganda estacionados na vizinhança.
Em tempo: os aviões militares que carregaram tropas para o resgate em Uganda eram Hércules C-130 – como o que agora os franceses estacionaram em Manaus. Na operação morreram os oito terroristas, dois dos 103 reféns e Yonatan. Iniciada às 23h01 de 3 de julho terminou 58 minutos depois. Nos primeiros minutos do 4 de julho a notícia se espalhava pelo mundo, saudada efusivamente em Israel. E nos Estados Unidos, que naquele dia comemorava seu bicentenário.


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