São Paulo,  
Busca:   

 

 

Espiões/D.Humanos

 

AGENTE Laranja I: a maior guerra química da história

Por WFM-CARTACAPITAL

1) AGENTE LARANJA.

2) GOOGLE - IMAGENS DOS HORRORES DA GUERRA QUÍMICA.

......................

Imagem GOOGLE.


..........................................

..........................................

1) O AGENTE LARANJA

Trinta anos após a Guerra do Vietnã, uma conferência sobre o “agente laranja” expõe a lógica vigente no império americano.Por Walter Fanganiello Maierovitch

As tropas norte-americanas retiraram-se do Vietnã em 1975. Saíram vencidas, mas promoveram nesse país a primeira guerra química de alta intensidade de que se tem notícia na história da humanidade.

Em termos de atrocidades, os resultados foram maiores do que o envenenamento de 5 mil curdos, promovido pelo ex-ditador iraquiano Saddam Hussein, em 1988, na cidade de Halabja.

Imagem GOOGLE. Efeito laranja: bebês deformados.


No Vietnã, foram 4 milhões de vítimas diretamente afetados pela “guerra química”. Na contagem, faltam as novas gerações e considerar os riscos de contaminações ainda presentes. A propósito, o efeito residual do produto usado como arma química no Vietnã só se extingue em 40 anos.

Em 1859, o Vietnã, tornou-se colônia francesa. Na Segunda Guerra Mundial, os japoneses invadiram e ocuparam o país. Terminada a guerra e, com a volta da influência francesa, o líder Ho Chi Minh empenhou-se na luta anticolonialista. Logrou estabelecer a República Democrática do Vietnã e, com muito sangue derramado, expulsou os franceses em 1954.

Nesse mesmo 1954, celebrou-se, em Genebra, um acordo de paz e o país ficou dividido pela linha do Paralelo 17. O norte, com capital em Hanói, transformou-se numa república marxista-socialista, apoiada pela China e União Soviética. Na linha de baixo do Paralelo 17, tendo como capital Saigon, formou-se então a República do Vietnã do Sul, garantida pelos EUA.

Imagem GOOGLE. Agente desfolhante: para avistar vitcongs escondidos nas florestas e matas.


Os problemas para os norte-americanos apareceram no início dos anos 60. Os vietnamitas do norte, chamados de vietcongues e organizados em grupos guerrilheiros, começaram a luta de reunificação e o estabelecimento de um regime marxista. Os norte-americanos entraram em um conflito intestino que envolvia os guerrilheiros vietcongues e o exército do corrupto governo de Saigon.

Uma vez envolvidos no conflito, os marines norte-americanos começaram a experimentar baixas nos combates nas florestas. Então, o governo contratou as empresas Dow Chemical, Monsanto, Thompson, Uniroyal e Plastics Corporation, que hoje tem a razão social Oxychem-Occidental Chemical Corporation.

As referidas empresas receberam a incumbência de produzir um agente desfolhante. Em outras palavras, um herbicida capaz de acabar com as florestas, de modo a tornar visíveis os vietcongues. Produziu-se, então, a dioxin kills, ou melhor, o devastador agent orange (agente laranja).

Imagem GOOGLE. Efeito dioxina: criança deformada


No período entre 1961 e 1971, foram derramados 80 milhões de litros de dioxin kills, como registrou Eva Mortello para a Narcomafie. A dioxina pura contaminou a água e o solo. Matou pessoas e comprometeu várias gerações de vietnamitas com câncer, crianças nascidas com síndrome de Down, malformação física, comprometimento do sistema imunológico, esclerose múltipla etc.

Moradores de mais de 20 mil aldeias suportaram os efeitos do agente laranja. Sobre eles recaía a suspeita de acolher e alimentar os vietcongues escondidos nas selvas. Suas plantações perderam-se e os povoados foram incendiados com napalm.

O agente químico desfolhante era desembarcado em Saigon. O produto chegava em barris negros, pintados com uma faixa laranja. Assim ficou conhecido pelo nome de agent orange.

Passados 30 anos do fim da guerra e da reunificação do Vietnã, a Europa acaba de promover, em Paris e na sede do Senado, a Primeira Conferência sobre o Agente Laranja, com a participação da Vietnam Association for Victims of Agent Orange (Vava).

Imagem GOOGLE. Efeito laranja: adolescente vítima.


Paralelamente, o Vietnã ganhou novo status e saiu do grupo dos 50 países menos desenvolvidos do planeta. Conseguiu superar a barreira do US$ 1.035 anual do seu PIB per capita. Diante do diverso quadro econômico, ingressou no bloco dos países em desenvolvimento intermediário. Voltou a ser cortejado pelos EUA e o atual premier parece não estar disposto a lembrar do efeito laranja.

A pena de morte ainda é aplicada no país, por uma justiça que adota o sistema judiciário misto, tirado dos exemplos francês e soviético. No início de junho, por exemplo, o Tribunal de Apelação da cidade de Ho Chi Minh (antiga Saigon) condenou à morte 16 traficantes de heroína.

Em Paris, a porta-voz da Vava, Pham Ti Phi, reconheceu a importância da Conferência e lamentou a improcedência, perante a Justiça norte-americana, da ação indenizatória proposta contra a Dow Chemical, a Monsanto e as demais fornecedoras da dioxin kills, no curso da guerra naquele país do Sudeste Asiático.

Imagem GOOGLE. Efeito laranja: jovem afetada.


PhamTi Phi ficou estéril. Morava num povoado atingido. O juiz da Corte de Nova York entendeu que as empresas químicas executavam ordens do governo dos EUA. E, pela lei, o governo não responde por indenizações em períodos de guerra. São as regras de um império, que não reconhece o Tribunal Penal Internacional.

..........................
RETROSPECTIVA

Confira na seção "violência", o artigo AGENTE LARANJA II, que ítimou também marines.


Assuntos Relacionados
© 2004 IBGF - Todos os direitos reservados - Produzido por Ghost Planet