São Paulo,  
Busca:   

 

 

Espiões/D.Humanos

 

RIO: POLÍCIA ASSASSINA. Duas Crianças mortas na covarde chacina da Baixada Fluminense: 30 pessoas executadas.

Por IBGF/WFM

O governo federal vai mandar ao Rio de Janeiro um grupo de elite. Isso em razão das matanças ocorridas, em 31 de março passado (2005), nos municípios de Queimados e Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. O saldo foi de trinta mortes, incluídas duas crianças. Grupos armados, nos dois municípios, saíram de automóveis atirando e matando os que encontravam pela frente.

Chacina: corpo de criança assassinada recolhido por policiais do bem.


Os maiores suspeitos das chacinas são policiais militares. Teria sido um "ato de vingança" e "demonstração de força" em face de 11 prisões de colegas militares. Esssas 11 prisões decorreram de inquérito policial militar instaurado por provocação do comandante do 15. Batalhão de Duque de Caxias, tenete-coronel Paulo Cesar Lopes.

O supracitado inquérito mostrou que, na madrugada de quarta feira, 30 de março, policiais atiraram para dentro do quartel uma cabeça humana, de vítima anteriormente decaptada. Uma outra cabaça foi intencionalmente deixada nos fundos do Batalhão. As cabeças simbolizariam a dos comandante e subcomandante do 15.Batalhão

Os massacres a civis inocentes, em Queimados e Nova Iguaçu, teria sido um descobramento do episódio que resultou nas prisões preventivas. Uma maneira de causar pânico e repercussão, a intimidar as autoridades hierarquicamente superiores.

Vários indícios, com lastro, levam a autoria das chacinas aos policiais militares. Além do episódio da "vingança" pelas prisões de 11 policiais, no dia das trinta execuções, as armas utilizadas eram de uso privativo das policias.

As covardes ações foram planejadas, ou seja, foram escolhidos locais onde não havia policiamento. Mais ainda, os cartuchos deflagrados foram recolhidos, para evitar futuras perícias.

Os governos, federal e estadual, reagiram com os discursos de sempre e as promessas de que não haveria impunidade.

O ministro da Justiça não cogitou de nenhum projeto de mudança nas políciais e nas políticas de segurança pública. Continua a assistir as trajédias no Rio de Janeiro, agora agravada por nivelar policiais aos mais insensíveis membros da criminalidade organizada.

Nâo se fala mais, até porque caiu em descrédito, o Sistema Único de Segurança Pública, que estabeleceria sinergia entre as polícias.

O ministério da Justiça e a sua secretaria nacional de segurança pública conseguiram, até agora e no governo Lula, formar um grupo de elite, para atuar em emergências e , no fundo afastar o tradicional apelo ao Exército.

Na Sicília (Itália), quando a máfia matava vítimas anônimas e assassinava pessoas com notoriedade, o governo unitário mandava tropas de eleite do exército para a Ilha. O tempo passava, a máfia submergia e as tropas voltavam aos quartéis. Tudo continuava igual.

No Rio, além do fenômeno da criminalidade organizada, existe a corrupção policial e a cultura da barbárie. Eles não são educados para a legalidade e se acham acima das leis e do próprio Estado. Quanto a isso, o episódio da Baixada Fluminense repete o da Candelário e o do Vigário Gerall, no ano de 1993 e todos com torpes e motivos vis.

No final de julho de 1993, policiais militares resolveram se vingar de dois adolescentes, de apelidos Come-gato e Ruço, que teriam apedrejado uma viatura oficial, quando da custódia de dois meninos de rua. A represália começou na Praça Mauá, com o seqüestro do flanelinha Vagner dos Santos (atualmente na Suíça sob proteção) e de dois menores, posteriormente executados e os corpos abandonadas no Aterro do Flamengo. Na procura de Come-gato e Ruço, os policiais assassinos foram até a marquise de prédio, próxima à Igreja da candelária. Dispararam contra menores que dormiam amontoados e com poucos cobertores. Quatro morreram no local e dois, posteriormente, no hospital para onde foram levados por populares.

Em agosto do mesmo ano de 1993, o mundo recebeu as imagens de caixões enfileirados, num total de 21 e cada um deles com um corpo de vítimas crivadas de balas.

Os executores dos crimes estavam encapuzados e portavam fuzis AR-15, pistolas automáticas, granadas e escopetas. Eram trinta homens encapuzados, separados em três grupos, que disparava nas pessoas que passavam pelo local.

O objetivo era fazer justiça com as próprias mãos, para vingar a morte de quatro policiais militares, alvejados na Praça Catolé da Rocha, depois de uma emboscada preparada por traficantes da favela de Vigário Geral.

Nenhum dos 21 mortos na chacina de Vigário Geral possuía passagem pela polícia ou antecedentes criminais. Nada tinham com o tráfico de drogas. Eram todos trabalhadores. Sete vítimas foram executadas num bar. O domicílio de uma família de crentes evangélicos foi invadido e oito pessoas, pegas de surpresa, acabaram assassinadas.

Em resumo. A chacina na Baixada Fluminense volta a mostrar a falência do modelo repressivo brasileiro e o descontrole dos governos sobre as suas políciais.

Os policiais não são educados para a legalidade e, com freqüência, formam "esquadrões da morte".

Dos 52 acusados pela chacina de Vigário Geral, apenas 6 foram condenados. No início deste ano de 2005, foram julgados pelo Tribunal do Júri e absolvidos por falta de prova, os 42 réus restantes, denunciados pelo Ministério Público e pronunciados pela Justiça.

Pela chacina da Candelária, acabaram condenados apenas 4 dos 8 acusados. Um dos acusados não chegou a ser julgado porque morreu antes. Foram 3 absolvições. A média do tempo de duração dos processos foi de 10 anos.


Assuntos Relacionados
© 2004 IBGF - Todos os direitos reservados - Produzido por Ghost Planet