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VIOLÊNCIA: Cães de Guerra Corporativos: a visão moderna dos mercenários

Por IBGF/Jornal do Terra

Ele ganhava salário mensal de 40 mil reais, desde novembro. Conseguiu o emprego pela internet. Com 36 anos de idade e lutador de tae-kwon-do, registrava no "curriculum vitae" a prestação de serviço militar como soldado de infantaria e trabalhos como segurança privada de casas noturnas. Tudo isso, depois de deixar a padaria da família, por uma alergia à farinha de trigo.

Quando os revólveres foram-lhe apontados, Fabrizio Quatrocchi avisou aos seqüestradores da Falange Verde de Maomé: "vocês vão ver como morre um italiano", subiu o capuz que lhe tapavam os olhos e esperou pelos tiros fatais. Fabrizio trabalhava no Iraque. Para uma empresa comercial de segurança privada, em Bagdá. Tinha sido contratado por uma verdadeira milícia privada, ou seja, a DTS-LIC, com sede em Nevada (EUA).

Essas empresas prestadoras de serviço de guerra multiplicaram-se pelo planeta. Substituíram os antigos grupos informais de mercenários, sem crachá e carteira de trabalho. Como são pessoas jurídicas - registrados os contratos sociais nas juntas comerciais -, estão fora da proibição da Convenção de Genebra de 1949. Lógico, ao contrário dos mercenários, antes contratados pelos governos, paramilitares, insurgentes, etc.

Na Costa do Marfim - ex-colônia francesa da África e maior produtora mundial de cacau -, grupos comerciais franceses mantém suas fazendas graças aos tanques e armas pesadas dessas empresas privadas de guerra. Contrataram essas milícias que - para manter o plantio e o escoamento da safra de cacau para a indústria do chocolate -, guerreiam com os rebeldes nacionalistas.

Desde a invasão do Afeganistão e a expulsão dos talebans, as milícias privadas protegem as autoridades estrangeiras. O assassinado Fabrizio era um desses "soldados privados", arregimentado via internet. Por ser italiano, entrou no catálogo dos Cães de Guerra, como Mastin, numa alusão ao enorme e bravo cão napolitano. Em Bagdá, Fabrizio cuidava da segurança dos dutos de petróleo das multinacionais. Por vezes, era deslocado a fim de escoltar membros do conselho e juízes iraquianos.

Importante ressaltar que muitas dessas empresas de guerra ambicionam prestar serviços nos morros do Rio de Janeiro, na Tríplice Fronteira (Brasil-Paraguai-Argentina) e na região amazônica, como revelado na revista Carta Capital de 9 de julho de 2003.

Como Bush já percebeu, a terceirização ajuda a tirar os soldados de locais perigosos do Iraque. Quando morre um guarda-costa, o seu governo não sofre desgaste. Trata-se um trabalhador privado, que escolheu o seu ofício. Perante a opinião pública, no entanto, a estória fica diferente quando a vítima é um soldado do Estado, obrigado ao serviço militar e, também, a partir para uma aventura hegemônica de Bush.

Essas companhias comerciais de segurança militarizada sempre jogam de mãos com as agências de inteligência: CIA, MI6 (inglesa) e SDECE (francesa).

No Brasil, o presidente Lula deve ficar atento. E se a UDR resolver colocar essas milícias "made in Primeiro Mundo" para enfrentar o MST?


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