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Brasil exporta armas de fogo e violência

Por WFM-CARTACAPITAL

O governo brasileiro comemora o sucesso da importante campanha de desarmamento. O passo dado, no entanto, está incompleto. Encobre o fato lamentável de o Brasil integrar o terceiro bloco de países exportadores de armas de fogo e munições. Na oferta de armas e munições, está na companhia da Itália, Áustria, Suíça e Argentina. Fica atrás apenas de EUA, Rússia, China, França e Grã-Bretanha.

Assim, a indústria bélica nacional engorda com uma fatia do lucro de US$ 290 bilhões anuais do mercado planetário.

A ambigüidade ética é marcante. Ou seja, internamente o Brasil faz restrições à venda e limita o porte de armas: governo e Congresso Nacional, corretamente, pregam que a arma de fogo é sinônimo de violência e de tragédia. Externamente, o Brasil esquece o que diz e mostra nas campanhas publicitárias e exporta violência.

Só para lembrar, entre 1990 e 2000, morreram nas guerras civis ocorridas no planeta 2 milhões de crianças. No mesmo período, mais de 6 milhões de menores saíram feridos e muitos deles, inválidos. De todos os conflitos posteriores à segunda metade do século passado, 90% dos mortos eram civis, ou seja, não participavam dos combates.

No continente africano, onde aportam armas e munições produzidas pela indústria bélica brasileira, crianças foram armadas e viraram soldados ou combatentes. Existe, também, o drama das minas terrestres a produzir vítimas até quando os conflitos já terminaram.

A queda do Muro de Berlim (1989) e o fim da bipolarização não foram suficientes para reduzir a demanda internacional por armas. Na frase cínica do vendedor de armas, que dá título ao filme interpretado por Alberto Sordi: “Enquanto houver conflitos, há esperança”. Em 2001, foram 24 guerras civis ante 25 em 2000 e 27 no ano precedente.

No fundo, faltou coragem ao governo e aos parlamentares brasileiros para o fechamento das fábricas de armas e munições. E os lobistas de plantão passaram, quando da tramitação do processo legislativo, a falar em desemprego e num governo de trabalhadores a fechar postos de trabalho bem remunerados.

Por outro lado, é animador a sociedade brasileira responder positivamente à chamada para entregar as armas. Restou superado o conceito de arma de fogo como instrumento indispensável à defesa privada.

Evidentemente, é mais fácil para o governo Lula receber armas de cidadãos educados à legalidade democrática do que reprimir o tráfico de armas e realizar apreensões dos arsenais mantidos pela criminalidade organizada.

Na primeira situação, o governo federal, pelo Ministério da Justiça, obtém sucesso por meio de bem elaborada campanha de persuasão e informação. Naufraga, no entanto, na tarefa aguda de desarmar bandidos e de contrastar adequadamente o fenômeno da criminalidade organizada.

Nos últimos cinco anos, África e Ásia foram palco, respectivamente, de 24 e 19 conflitos, que misturaram genocídios, secessões, práticas terroristas, crimes contra a humanidade, golpes de Estado e outros horrores.

Pelo mundo e no período compreendido entre 1990 e 1995, a beligerância produziu 3,2 milhões de vítimas fatais, de todas as idades. Segundo dados divulgados pela respeitada Global IDP Database, os conflitos armados, até o fim de 2001, produziram 25 milhões de refugiados, todos em busca de paz em outros países. No início desse mencionado ano de 2001, o número de refugiados não passava de 12 milhões, conforme levantamento realizado pelo Alto Comissariado das Nações Unidas.

Na Colômbia, estima-se em 1,5 milhão o número de refugiados. A migração regional foi a opção de 2 milhões de colombianos, todos eles em fuga de combates envolvendo insurgentes, paramilitares e Exército. A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) concluiu que um quinto da desnutrição na América Latina encontra-se na Colômbia e a causa são os conflitos armados.

Como subproduto dessa potente indústria bélica, aparece a figura do “neomercenário”. Distingue-se do antigo pelo formal contrato de trabalho, registro, seguro de vida e crachá da security firm. Esses “neomercenários” foram empregados, é bom lembrar, em conflitos no Afeganistão, na Argélia, no Sri Lanka, em Angola, no Burundi, na Etiópia, na Eritréia, na Índia (Caxemira), nas Filipinas (Mindanao), no Congo, na Chechênia, no Sudão, no Iraque, no Kuwait e no Paquistão.

As regiões de fronteiras próximas das zonas de conflito bélico ficam permeáveis ao tráfico de armas, munições, pessoas, narcóticos, combustíveis e mercadorias.

Enquanto isso, o Brasil continua firme no próspero terceiro bloco de países exportadores de violência.

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