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O ditador quer cooptar a Nobel da Paz, com Gambari no papel de laranja.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

5 de outubro de 2007.
Than Shwe.


Depois de quatro dias na Birmânia como enviado especial das Nações Unidas e uma esticada até Singapura sem revelar o motivo, o nigeriano Ibrahim Gambari encontra-se hoje com o secretário geral da ONU, Ban Ki-moon.

Ao generalíssimo Than Shwe, o enviado Gambari prometeu guardar silêncio sobre o tratado no encontro. Ou melhor, nada revelar a imprensa. Gambari manteve a sua palavra, pois caso contrário não sairia do Myanmar (ex-Birmânia).

Hoje em Nova York, no entanto, começaram a circular as primeiras informações sobre o encontro de Gambari com o generalíssimo Than Shwe, chefão da Junta ditadorial que manda no país e cala os opositores com fuzis, prisões e violações de residências e templos.

Than Shwe levou quatro dias para conceder audiência a Gambari. Em 2006 e em meses distintos, sem revoltas e sangue nas ruas, Gambari não teve dificuldades em ser recebido pelo generalíssimo.

Pela fuga de notícia, já se sabe que o generalíssimo disse estar disposto a receber para uma conversa a Nobel da Paz, Aung San Suu Kyi, a qual teria usado o tratamento de Daw Aung (senhora Aung). Antes, a chamava de bruxa ou víbora.

Isso representou uma vitória diplomática de Gambari ? A resposta é negativa. Quando do vazamento da notícia, Gambari pensou que faturaria prestígio internacional em face do divulgado nos veículos dos jornalistas que obtiveram o “furo”.

O certo é que o generalíssimo impôs condições. Ele atribui à Nobel da Paz a responsabilidade pelas sanções econômicas impostas à Birmânia e pelas pressões internacionais. Para recebê-la e libertá-la da prisão domiciliar, o generalíssimo quer uma contrapartida da Nobel da Paz.

Than Shwe quer que a Nobel da Paz abandone a sua oposição completa ao governo e a sua “postura de contraposição devastante”. Em resumo, deseja que a Nobel dê uma “maneirada”, “um refresco” à ditadura militar. Em outras palavras, que ela renuncie ao seu ideário de lutas democráticas. E a Nobel está presa desde 1989, tendo sido, em 2003, removida para prisão domiciliar.

Como se percebe, o generalíssimo impôs uma condição impossível e Gambari não pode afirmar boa-vontade por parte do ditador.

Enquanto Gambari fará o relatório da sua viagem a Ban Ki-moon, fontes não oficiais revelam que a Junta, diante dos protestos iniciados por monges budistas e com adesão da sociedade civil, já matou mais de uma dúzia de pessoas e mantem presas 2 mil pessoas.

Os presos estão separados em ategorias: 1)líderes do movimento de revolta, 2) participantes ativos, 3) simpatizantes.


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