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Narcoditadura do Myanmar. Segunda visita à Nobel da Paz. Gambari volta e generalissimo aumenta repressão.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

3de outubro de 2007.

O generalíssimo Tham Shwe, que preside uma Junta de generais.





1.A MISSÃO.

O nigeriano Ibrahim Gambari, braço direito do secretário geral da ONU e enviado especial das Nações Unidas para a ex-Brmânia (Myanmar), deixou ontem a noite o país.

Depois de aguardar quatro dias, Gambari, que já esteve em 2006 por duas vezes em missões diplomáticas na Birmânia, conseguiu audiência com o Than Shwe. Parêntese.. Numa Junta ditatorial de generais, Than Shwe é o superlativo, ou melhor, o “generalíssimo”. Tem o comando do “Conselho de Estado para a Paz e o Desenvolvimento”. Esse órgão-maior da hierarquia de poder birmaniano ficou no lugar do sanguinário “Conselho de Estado para a Restauração da Lei e da Ordem”, que anulou, depois de derrota fragorosa dos militares, as eleições para a assembléia constituinte em 1990, extinguiu os paridos políticos e reprimiu civis e monges rebelados. Parêntese fechado.
Depois da audiência com o “generalíssimo”, Gambari não concedeu entrevistas. Aliás, essa foi uma das condições para ser recebido pelo generalíssimo Than Shwe.

Gambari disse que não dará entrevistas antes de falar com o secretário geral da ONU, que o mandou à Birmânia em missão especial.

2. A SURPRESA.
Enquanto as prisões e as execuções prosseguem em Myanmar, com monges e civis sendo levados para uma fábrica desativada na periferia de Yangon e a um campo de detenção na própria cidade, o enviado especial, Gambari, voou para Singapura, onde ficará por poucas horas em reunião com o premier Lee Loong.

Só depois ele rumará para Nova York a fim de apresentar seu relatório ao secretário geral da ONU.

3. A BOA NOTÍCIA.
Pouco antes de deixar Myanmar e depois da reunião com o “generalíssimo”, Gambari encontrou-se, -- pela segunda vez---, com a Nobel da Paz, Aung San Suu Kyi, em prisão domiciliar desde 2003.

4. SOBRE GAMBARI.
Esse nigeriano é um diplomata experiente e cauteloso. Foi ministro das relações exteriores da Nigéria, ao tempo da ditadura do general Sanny Abacha. Com a morte do ditador Abacha (1998), virou embaixador da Nigéria junto à ONU (1990-1999), isso a demonstrar o acerto de Tomasi di Lampedusa, no clássico O Gattopardo: “ tudo mudar para que tudo continue como está”
Nas Nações Unidas, Gambari foi secretário geral adjunto, encarregado de negociações políticas. Hoje, faz parte da corte de Ban Ki-mon, atual secretário geral na sucessão de Kofi Annan. Gambari é o secretário de Ban Ki-mon.

Pela terceira vez que Gambari está na Birmânia, em missão da ONU. As duas primeiras ocorreram em 2006, quando foi recebido pela Junta militar que manda no país, além de encontros com os generais em funções de premier e presidente.

Gambari é formado em economia pela London Scholl of Economics. Pela Columbia University fez o máster e tornou-se “phd” em relações internacionais. Como professor, lecionou na City University de Nova York.

5. PANO RÁPIDO.
Esse segundo encontro é um sinal revelador de que o “generalíssimo” e a sua Junta estão disposto a abrir negociações. Em outras palavras, querem uma baixar a forte pressão internacional e levar Myanmar ao esquecimento, numa ditadura que já dura de 45 anos.

Wálter Fanganiello Maierovitch.


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