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Nobel da Paz desafia a Narcoditadura Militar na Birmânia.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

23 de setembro de 2007.



Roma. De arrepiar. Assim falou o correspondente da Rai-2 no jornal das 20hs de ontem. Presa desde 1989,-- e transferida há quatro anos para prisão domiciliar na ex-capital Rangon (Myanmar, ex-Birmânia)--, Aung San Suu Kyi descumpriu a proibição imposta pela Junta Militar que governa o país faz 45 anos.

Aung ganhou o prêmio Nobel da Paz em 1991. Ontem ela encontrou os mil monges budistas que saíram, debaixo de chuva forte e descalços, para, pacificamente, se manifestar contra os ditadores.

A Birmânia que foi a maior produtora mundial de arroz transformou-se, sob a ditadura militar, num narco-estado e os ditadores, que desfrutam em benefício pessoal das vantagens financeiras decorrentes do turismo, acabam de aumentar os preços dos combustíveis, gás de cozinha, alimentos (especialmente o arroz), impostos e taxas.

Um sinal importante, como destaca a imprensa européia, decorreu do fato de os policiais (cerca de 100) que fiscalizam a casa-prisão de Aung San Suu Kyi , terem afastado as barricadas para os monges ingressarem.

A casa da chamada The Lady é a mais vigiada do país, pois os militares não permitem que jornalistas e cinegrafistas façam imagens ou se aproximem da casa.

Suu Kyi está com 62 anos de idade e boa saúde. É filha do falecido chefe da resistência birmana contra o Japão. Nem quando o marido de Suu Kyi faleceu de câncer ela foi autorizada, pela Junta Militar Ditatorial, a comparecer aos funerais.

Com os monges budistas, Suu Kyi San, durante 15 minutos, fez orações, num desafio sem precedentes aos sanguinários ditadores.

Os monges, numa longa caminhada até a casa de Suu Kyi, eram aplaudidos pelos civis. Todos saiam debaixo de torrencial chuva para recitar uma estrofe da Sutra de Lótus Budista, que todos na Bisrmânia conhecem de cor: “Possamos ser livres de todos os perigos, livres da dor, livres da miséria. Possamos nós encontrar a paz no coração e na mente”

A Nobel da Paz, líder da proscrita Liga Nacional para a Democracia, despertou, com o seu corajoso ato de desafio à Junta (poderá voltar ao cárcere fechado), uma rearticulação dos dissentes civis ao regime.

Quando os militares, em 1989, realizaram aumentos proibitivos houve uma manifestação popular e a Junta Militar, na repressão, matou milhares de civis. E determinou a prisão de Suu Kyi.

PANO RÁPIDO. Vida Longa a Suu Kyi, símbolo de resistência pacífica e coragem dos puros de alma. Pelo noticiado, os corruptos narcoditadores começaram a temer, pois o ato dos monges foi divulgado e teve o apoio popular, em todos os cantos do país.

Walter Fanganiello Maierovitch.
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Alguns dados levantados para o sie do IBGF e rádio CBN.

1. O golpe de Estado na Birmânia ocorreu em 1962. Estava a frente o general Ne Win. Os militares chamaram o golpe de “Caminho birmano para o Socialismo”.

2. Os partidos foram extintos pelos militares golistas. De 1962 até hoje existe um único partido, que é chamado de socilaista.

3. A Lei Márcia foi imposta em 1989, depois da manifestação popular, que resultou na morte de milhares de civis: eram fuzilados pelos militares.
4. Em 1990 a Liga Nacional para a Democracia (vide post acima), com a participação de Suu Kyi (Nobel da Paz) vence as eleições. Os militares dão novo golpe, desconsideram os votos e se mantém no poder.

5. O país mantém o primeiro posto entre os países de maior desrespeito aos Direitos Humanos.


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