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Direitos Humanos. Os lavadores são extracomunitários (ilegais).

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

5 de setembro de 2007.



ROMA. O prefeito Leonardo Domenici ocupa todos os espaços nas diferentes mídias. É falado em todas as esquinas, é a mais nova tem sempre mais de 500 anos. Pela segunda vez eleito prefeito (sindaco) de Florença, Domeneci pretende alçar vôos mais altos, sem deixar o partido de esquerda.

Parêntese. A esquerda protestou em praça pública (Verdes, Refundação Comunista, Esquerda Democrática e intelectuais independentes liderados pelos professores Ornella de Zordo e Paul Gisborg). Ao todo 100 pessoas em praça. Os organizadores esqueceram que jogava a Fiorentina, no estádio de Florença.Parêntese fechado

Com apoio do órgão de representação comunal, -- grosso modo uma câmara de vereadores num regime federativo como o Brasil--, Domenici acha que encontrou a fórmula ideal para agradar, não apenas em Florença, mas 80% dos italianos.

Até a associação de imigrantes romenos ( e a máfia romena é potente na Itália) apóia Domeneci, pois entende que os delinqüentes extracomunitários (eufemismo para imigrantes) devem ser criminalizados.

. A formula de Domenici é simples. Buscada no Código Penal e com esquecimento à Constituição, em vigor desde 1948. Ou seja, por ato administrativo, ratificado pela comuna florentina (câmera vereadores), proibiu-se a lavagem de pára-brisas de automóveis nas ruas de Florença. Aquele que não obedece, é preso em flagrante por autoria de crime de desobediência, tipificado no Código Penal.

Até agora, 15 lavadores foram presos. Já pagaram fiança e foram soltos. Nas ruas, nenhum lavador se atreve a desafiar o prefeito. Como a Itália, ao contrário do Brasil, investiu em ferrovias, os lavadores resolveram pegar o trem e “lavar em semáforos de outras cidades”. Como se percebe, Domenici transferiu o problema. Lógico, além de não fazer nada pela integração dos imigrantes à cidade.

Todas as noites, aqui em Roma, bato um papo com o senhor Ângelo, que, como bom cidadão italiano, conhece em profundidade os problemas do seu país.

Ontem, o senhor Ângelo perguntou se nas cidades brasileiras existiam lavadores de vidros. Diante da resposta positiva, ele arrematou: “mas, vocês não têm extracomunitários (imigrantes ilegais), de onde vêm os lavadores de vidros ?”

Ele quis dizer que, no sistema do país, o cidadão italiano é protegido e não lava vidros nas esquinas. Os imigrantes, -- sem emprego e que ingressam ilegalmente no país por mar, terra e ar--, são os lavadores. E, como todos sabem, as máfias romenas, albanesas, nigerianas, etc, exploram os lavadores, -- como acontece com as prostitutas. E exploram porque controlam territórios.

Com a dor de quem recebeu um cruzado do Mike Tyson na alma, disse ao bom senhor Ângelo que os nossos são lavadores brasileiros, esquecidos pelo estado nacional, vítimas da má distribuição de renda, fora o preconceito e a pouca chance de conseguirem emprego com carteira assinada e proteção trabalhista.

Wálter Fanganiello Maierovitch.


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