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Violência. Guerra no Complexo do Alemão.

Por Wálter F Maierovitch/Rádio CBN/Justiça e Cidadania

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28 junho de 2007.

Preocupa a segurança dos cidadãos comuns,-- não envolvidos com o crime organizado-- que moram do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro.

Faz 58 dias que essas pessoas estão vulneráveis: entregues à própria sorte.



E o secretário de segurança pública do Rio declarou, --candidamente--, que num confronto dessa envergadura sobra sempre o gosto do remédio amargo.

Numa correta chave-de-leitura, remédio amargo significa conformismo. Pior, pode ser entendido como autorização para matar.

Está claro que não foi previsto, -- na operação em curso--, nenhuma blindagem aos moradores. E isso é inconcebível.

Os moradores estão no meio do fogo cruzado, entre forças policiais de ordem e criminosos organizados.

Sem rota de fuga, pré-aviso de confronto e abrigos seguros, sobram balas perdidas, feridos e mortos. Nas favelas do Complexo do Alemão, a palavra de ordem virou o “Salve-se quem Puder”.

É lógico que o Estado precisa reconquistar territórios e retomar o controle social.

Só que, para isso, não se parte para uma guerra urbana cega, com cidadãos entregues à própria sorte.

Nos conflitos bélicos entre policiais e traficantes, virou norma no Rio colocar os civis-inocentes como mero circunstantes, figurantes.

. Há pouco tempo e outra área, até tanque do exército já foi posicionado para a apontar para favela populosa, isso em de busca de armas furtadas de quartel.

Existem outros caminhos para reconquistar territórios e retomar o controle social. O primeiro deles passa pelo saneamento das policiais. São policiais corruptos, vendidos, que dão proteção às associações delinqüenciais.

As outras veredas para se trilhar, por exemplo, consistem em (1) infiltrações policiais, (2) constituição de postos permanentes de observações para coletas de informações, (3) presença efetiva do Estado e, principalmente, (4) reconquistar do apoio das comunidades.



Demonstrações de força,-- sem a certeza de que o território será mantido no futuro--, significa jogar para a platéia. Ou melhor, jogar para platéia que está fora dos morros. E uma platéia que pede a intervenção das Forças Armadas, ou seja, quer assistir guerra à distância.

Nos 58 dias de operações no Complexo do Alemão, verificou-se que a criminalidade organizada, durante anos, armou-se pesadamente e usa técnicas de guerrilha para manter os espaços conquistados.

Secar as fontes de sustentação financeira dessas organizações é o melhor caminho. É eficiente. Evita derramamento de sangue e riscos à sociedade civil.

No mundo inteiro, as organizações criminosas, de matriz mafiosa submergem, quando guerreadas pelo Estado. E submergem para se reorganizar, atacar de surpresa, difundir o medo. Tudo isso a fim de reconquistar os territórios.

Pelo que se tem de notícia, no Complexo do Alemão e apesar da operação de quarta 27 (com 19 mortes), ainda não se chegou a essa fase. O crime organizado ainda resiste. Mantém áreas ocupadas. E o seu líder, José Souza Ferreira, vulgo Tota, ainda não foi alcançado pela polícia.

Uma coisa é certa. Ao optar pela guerra, o governo do Rio poderá transformar essa zona urbana populosa num outro Iraque.


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