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Espiões contra Espiões. Novo capítulo no caso Litvinenko.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

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1 de junho de 2007.

Lugovoy, ex-agente da KGB e acusado na Justiça britânica de ter envenenado Litvinenko com o radioativo polônio 210.


Para os 007 da M16 britânica, Andrei Lugovoy foi o responsável pelo envenenamento, com o emprego do radioativo polônio 210, de Alexander Litvinenco, ex-espião da KGB, e já cidadão britânico.

Litvinenco foi envenenado em Londres, no dia 1 de novembro de 2006 e veio, depois de agonizar em hospital, a falecer três semanas depois, em 24 de novembro.

Ouvido em Moscou pela agência russa Interfax, Lugovoy, também um 007 da KGB e ex-colega de espionagem de Litvinenco, acusou o M16 de ter montado uma farsa acusatória ao atribuir-lhe a autoria do envenenamento.

Para Lugovoy, que almoçou com Litvinenco no dia do envenenamento, tudo não passa de uma ”trama de ameaças, traições e jogoduplo”.

Litvinenko, envenenado com o radioativo polônio 210.


A Scotland Yard, polícia investigativa, levantou, num trabalho sientífico, os locais por onde Lugovoy circulou em Londres, antes e depois do encontro com Litvinenco. Encontrou os traços impregnantes e poluentes do polônio 210.

. Perante a Justiça britânica, Lugovoy é acusado de homicídio de cidadão britâncio, crime ocorrido em Londres, ou seja, em território do Reino Unido.

Segundo declarou Lugovoy à agência russa Interfax, a M16 tinha recrutado Litvinenko e o oligarca Berezovskij (por litígio com o presidente russo Vladimir Putim, Berezoviskij se impôs um auto-exílio na Inglaterra).

Também revelou Lugovoy ter o serviço-secreto da sua Majestade britânica, o M16, tentado cooptá-lo e isto para que investigasse e passasse informações sobre Putin, a sua família, “como se fosse um traidor”.

Lugovoy,-- que se apresenta como um “homem de negócios na área de seguros”--, disse que tinha encontros, no dia do envenenamento, pré-agendados com Litvinenko e Berezovskij. Ao chegar em Londres proveiente de Moscou foi, sem perceber, marcado com polônio pelos 007 da M16, tudo para deixar rastro radioativo, ou seja, uma preconstituição de prova falsa para o fim de imputar-lhe a autoria do crime.

Sobre o verdadeiro autor do envenenamento, Lugovoy disse desconfiar de Berezovskij, que estava sendo chantageado por Litvinenko.
Só para recordar (vide matéria detalhada abaixo, na retrospectiva do IBGF) Ltvinenko fugira da Rússia em 2000, depois de ter, na condição de agente da FSB (sucessora da KGB) acusado o governo russo de (1) planejar o assassinato de Berezovskij e (2) forjar atentados para atribui-los aos tchechenos e, assim, justificar os ataques ocorridos em Grozny, capital da Tchechenia.

Ouvido pela imprensa britânica sobre as declarações de Lugovoy, o oligarca Berezovskij frisou: “A declaração de Lugovoy é, na prática, uma declaração do Kremlin. O Kremlin está orquestrando em torno do homicídio de Litvinenko uma campanha de mentiras”

WFM, em 1 de junho de 2007.

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RETROSPECTIVA, em dezembro de 2006.

*por Walter Fanganiello Maierovitch.

SPY x SPY.



Espião ou prostituta? Até hoje, não se sabe bem qual das atividades é a mais antiga. Ninguém duvida, no entanto, ser a primeira a mais problemática. Como ensina Walter Laqueur na sua obra A World of Secrets (1985), os espiões surgiram quando os homens sentiram necessidade de recolher informações sobre a força e a intenção das tribos vizinhas e dos clãs.

Da coleta de informações aos assassinatos dos inimigos foi um pulo. Em 1940, na Cidade do México, Trotski levou uma picaretada fatal no crânio, desferida por agente da espionagem stalinista.

A escola soviética de espionagem sempre preconizou assassinatos por envenenamento. Em Moscou, a Kamera, ou Laboratório 12, disponibilizava venenos aos killers da KGB. O fato ficou tão conhecido a ponto de James Bond, numa trama do filme Casino Royal, ter sido envenenado.

O Laboratório 12 agora prepara venenos para a FSB e a SVR. A primeira, sucessora da KGB, dedica-se às chamadas operações sujas e ações de contra-espionagem. A SVR atua no exterior contra inimigos.

Na sexta-feira 24, morreu envenenado, em Londres, Alexander Litvinenko, de 43 anos, e ex-tenente-coronel da KGB e da FSB. O veneno foi o radioativo, polônio 210, descoberto em 1902 pela física Marie Curie. Como ela nasceu na Polônia, o metalóide virou polônio.

Apelidado Sasha, Litvinenko apontou o presidente Putin, seu ex-companheiro de KGB, como mandante do crime. Como de hábito, Putin demonstrou acreditar que a melhor defesa é o ataque. Assim, acusou os ingleses de provocação pelo vazamento da fala de Sasha.

O ataque de Putin, entretanto, não alterou o rumo das investigações conduzidas pela espionagem britânica (MI5) e pela Scotland Yard. Ambas procuram informações sobre 30 espiões russos em Londres, todos sob a capa de funcionários administrativos da embaixada russa.

Em outubro, na Finlândia, logo depois do rumoroso assassinato da jornalista Ana Politkovskaya, Putin, acuado pelas denúncias de violações de direitos humanos e acobertamento de crimes, atacou a Itália e a Espanha. Como a sugerir que os estados membros da UE olhassem para o próprio rabo, disparou: “A Itália é o berço da máfia e na Espanha muitos prefeitos estão na cadeia por corrupção”.

Litvinenko, envenenado com o radioativo polônio 210.


Politkovskaya reunia provas de massacres de chechenos pelas forças russas. Quando retornava do supermercado, recebeu quatro tiros de pistola Makarov, de uso privativo das forças policiais russas.

Para a espionagem russa, Sasha era traidor. Foi ele, em 1998, quem avisou o oligarca Boris Berezovski do plano da FSB para matá-lo. O general Khorkholkov caiu e Putin, graças a Sasha, virou chefe da FSB.

Na Presidência de Boris Yeltsin, Berezovski foi designado para negociar um acordo com os rebeldes separatistas chechenos. Com risco de assassinato e inimizade com Putin, o oligarca Berezovski mudou-se para a Londres em 2003.

Sasha também fugiu para Londres depois de acusar o governo Putin de ter forjado, em 1999, ataques terroristas que falsamente atribuiu a separatistas chechenos. Segundo Sasha, isso acarretou a morte de 300 civis russos e acabou usado como justificativa, interna e internacional, para Putin mandar invadir a capital Grozny e massacrar chechenos.

Em Londres, Sasha foi recebido pelo magnata Berezovski e passou a residir em imóvel de 700 mil euros, pertencente a uma off-shore das Ilhas Virgens Britânicas. A off-shore é controlada por Berezovski.

No dia fatídico, Sasha almoçou num restaurante japonês, na companhia do comissário italiano Mario Scaramella. Por volta das 16 horas, rumou para o sofisticado Bar Millennium, do Hotel Mayfair, a fim de se encontrar com o ex-companheiro de KGB Andrei Lugovov. De Moscou, Andrei garante ter estado em Londres para assistir a uma partida de futebol e aproveitou para rever o amigo Sasha.

Na presidência de Yeltsin, Andrei esteve incumbido de proteger Berezovski, tornando-se seu amigo. Com Putin na Presidência, acabou expulso da FSB e preso. Misteriosamente, saiu da prisão e tornou-se um bilionário moscovita.

Para os 007 britânicos, o Kremlin já avisou: “O ex-agente Sasha teria sido envenenado por ordem do magnata Berezovski, ligado à vítima. Assim, houve um complô para criar dificuldades ao inimigo Putin”. E, pela amizade, ninguém desconfiaria de Berezovski.

A MI5 não descarta a tese russa, mas levanta outras suspeitas:
1. Vingança do serviço secreto russo, pois Sasha tornou-se um opositor incômodo. O uso de polônio seria um indício contra o serviço secreto russo: o polônio é restrito e eficaz só por quatro meses.
2. Nas investigações sobre o assassinato da jornalista, Sasha teria chegado à participação de chechenos ligados ao governo russo.
3. Sem intenção de morrer, Sasha envenenou-se para, quando restabelecido, acusar Putin: errou na dose.

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RETROSPECTIVA.

-30 de maio de 2007.

*Wálter Fanganiello Maierovitch. 007 Agitados.

Lugovoy, ex-agente da KGB e acusado na Justiça britânica de ter envenenado Litvinenko com o radioativo polônio 210.


A notícia que acaba de chegar de Moscou, pela Agência Interfax, não surpreende.

Desde a queda do muro de Berlim, quando se pensou que os 007 do ficassem desempregados, os agentes de inteligência vivem em permanente agitação e a perpetrar ilegalidades e violações a direitos das gentes.

Acusado pela espionagem britânica de ter matado o ex-agente da KGB Alexandre Litvinenko, com administração do radioativo polônio e em Londres, o também ex-agente da KGB, Andrei Lugovoy, partiu para o ataque.

Para Lugovoy, o Serviço Segreto britânico tinha recrutado Alexander Litvinenko e, também, o oligarga russo Boris Berezovski (exilado em Londres e que é visitado pelo presidente do Corinthias, com o pires-na-mão).



Lugovioy à agência Interfax, declarou: “Farei declarações que iluminarão a real história política, que os serviços secretos britânicos manipulam e esclarecerão o papel que cabe ao agente cooptado Berezovsky”.

No dia em que foi envenenado, Litvinenko, que vivia na Inglaterra legalmente, almoçara com Lugovoy. Segundo a Scotland Yard e peritos ingleses, traços radiativos deixados pelo polônio foram encontrados nos locais por onde Lugovi esteve antes de chegar ao encontro com Litvinenko.

Na Inglaterra e perante a Justiça, Lugovoy é acusado de homicídio. Lugovi contou que estava em Londres para ver uma partida de futebol e resolveu encontrar o ex-colega da KGB.

Dessa tragédia uma coisa é certa, o subterrâneo do mundo dos 007 nunca é revelado em sua plenitude.


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