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CIA. Espiãs de saia representam 39% do efetivo e 5% delas estão no exterior.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch/CARTA CAPITAL




A Central Intelligence Agency (CIA), no governo George W. Bush, notabiliza-se por lançar alarmes inconsistentes, difundir mentiras, fazer o jogo dos neoconservadores e promover continuadas trapalhadas.

Operacionalmente, a grande crise da CIA está na incapacidade de os seus 007 recolherem informações consistentes e no despreparo de seus órgãos de cúpula no processamento e na análise dos dados de inteligência. Por exemplo, a agência desconhece se Bin Laden ainda está vivo e se desespera diante de boatos de o terrorista ter morrido de morte natural, por paralisação dos rins: a última aparição dele, em vídeo divulgado, ocorreu em 29 de outubro de 2004.

Modernamente, a arma mais eficaz para combater o terrorismo é a infiltração de agentes de inteligência, a cooperação entre agências e o emprego de informantes cooptados. Muitas vezes, em vez de capacitar os James Bond para atuação encoberta, de compartilhar revelações com serviços de inteligência de países aliados e de controlar informantes mediante pagamento, a CIA prefere trabalhar com informes colhidos em revistas de salões de barbeiros ou em blogs conspiratórios de direitistas.

Uma delas é 007 da CIA? Impossível, nenhuma agente conhece a língua pastum.


Para ter idéia, no fim de 2006, a CIA colocou na Quadrennial Defense Review uma análise que gerou protesto formal de Pequim. Para o governo chinês, ocorreu “juízo irresponsável sobre uma normal política chinesa de defesa”. Na revista, a CIA tinha plantado que a “China detém o maior potencial para competir militarmente com os EUA e, também, para desenvolver tecnologia de destruição que poderia, com o tempo, anular a vantagem estadunidense”. E a CIA recomendava “contragolpes adequados por parte do governo Bush”.

Na metade de 2006, soube-se que agentes da CIA seqüestraram, em 17 de abril de 2003, na cidade italiana de Milão, onde residia legalmente, o mulá Abu Omar. Para os James Bond, o mulá era membro da Al-Qaeda e arregimentava homens-bomba na Europa, para explodir no Oriente.

Abu Omar acabou jogado num cárcere no Egito e permaneceu durante anos incomunicável e sob tortura diária. Nada se comprovou. Desde o começo de 2007 e em liberdade vigiada, o mulá aguarda a conclusão do procedimento instaurado pelo Ministério Público de Milão, que desconfia da co-participação do Servizio per le Informazioni e la Sicurezza Militare (Sismi).

A propósito, o governo do premier Romano Prodi já exonerou o general Nicolò Pollari da direção do Sismi. Em juízo, Pollari mantém-se calado sob justificativa de portar “segredo de Estado”. Pelo que se sabe, a ação indenizatória a ser proposta por Abu Omar terá valor maior do que somados os prêmios acumulados da Mega-Sena.

Há duas semanas, enquanto a CIA sustentava que os talebans estavam distantes da capital Cabul e apenas se concentravam no sul do Afeganistão, os fatos mostraram o contrário. Na sexta-feira 20 de abril, um grupo de talebans invadiu uma festa de casamento e arrastou para o quintal da casa o músico Nazar Gul, de 35 anos. Em nome de Alá e consoante ritual fundamentalista, os talebans lapidaram e, depois, mediante golpes de baionetas, mataram o agonizante Nazar. De nada adiantou o desespero do seu filho de 12 anos, que pedia clemência.

Abu Omar, seqüestrado pela CIA em MIlão, onde residia legalmente.


O crime de Nazar consistiu em tocar dohl (bumbo) numa festa, afrontando uma proibição corânica, imposta no então governo dos talebans.

No campo das trapalhadas, a última da CIA diz respeito à iminente demissão de 50 de suas espiãs de saia. As Mata Hari da CIA reclamam de discriminação sexual e falta de paridade com os James Bond de gravata.

Do quadro dos 007 da CIA, 39% são mulheres e 5% delas estão no exterior. Pelo regulamento, todos, homens ou mulheres, são obrigados a comunicar relacionamentos amorosos com estrangeiros. As 50 espiãs descumpriram a exigência, que também não é atendida pelos espiões.

Das 50 espiãs punidas, cinco procuraram a revista U.S. News & World Report para contar sobre a discriminação sexual e o trato desigual. Uma delas, Lora Griffith, deixou-se fotografar e abriu o coração.

Lora Griffith, loira, casada, com filhos, de 45 anos, foi admitida na CIA em 1987. Logo depois da tragédia das torres gêmeas, foi enviada à Europa para trabalhar com um 007 europeu e aliado. Com ele manteve um breve relacionamento amoroso, que acabou descoberto pela CIA.

Segundo Lora, que fala pelas demais, as espiãs são tratadas como se estivessem num tribunal da Inquisição. Apenas interessam as love stories delas, tudo para evitar que mulheres cheguem aos órgãos de direção da CIA. As Mata Hari recorreram ao Conselho Federal de Igualdade de Oportunidades e prometem ações judiciais, por discriminação sexual.


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