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PRESÍDIO MODELO.

Por FOLHA ONLINE- Folha de S.Paulo

19 abril de 2007.

Editorial da FOLHA DE S.PAULO, transcrito


A DESORDEM reina no presídio federal de Catanduvas (PR), como mostrou reportagem desta Folha publicada na segunda-feira. A situação na primeira penitenciária administrada pela União é um retrato fiel do governo Lula. Em 2003, após um espasmo de violência no Rio de Janeiro, o Planalto reagiu anunciando com jactância a criação de cinco presídios federais. Três anos depois inaugurou o primeiro, que não necessitou mais que seis meses para mergulhar em descontrole.

Disputas entre a Polícia Federal (PF) e o Departamento Penitenciário Nacional (Depen), vinculados ao Ministério da Justiça, esboçam um quadro de insubordinação. Os agentes penitenciários, do Depen, relutam em acatar ordens do diretor do presídio, que veio da PF. Em contrapartida, a PF produziu um relatório que aponta graves irregularidades em Catanduvas, com ênfase na questão dos agentes. Como se tornou praxe na atual administração, tudo é feito no improviso. Concursos mal planejados e executados permitiram a contratação de agentes penitenciários desqualificados, com antecedentes criminais e sérios desvios de conduta. Há até um inquérito que apura a ocorrência de tortura no presídio.

O relatório da PF ainda indica falhas graves de segurança. Pelo menos até o final do ano passado, parte das câmeras de vigilância e microfones para gravar conversas entre servidores e detentos ainda não funcionava. Tampouco havia um plano de contingência para rebeliões.

Não é de espantar que, em meio a tantos desencontros, presos de alto risco e poder de corrupção estejam exercendo influência cada vez maior no presídio. Se há um setor que o governo Lula não pode conduzir com sua costumeira pusilanimidade é a segurança pública.


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