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CRIME ORGANIZADO. OPERAÇÃO HURRICANE.

Por Wálter F Maierovitch/Rádio CBN/Justiça e Cidadania

17 abril de 2007.

Recreativos Franco, a maior fabricante e exportadora de componentes eletrônicos para jogos de azar.


Os serviços de meteorologia nem sempre avisam. Na sexta-feira, um furacão varreu de um sebo de Copacabana um livro consagrado. O livro intitula-se Homo Ludens, escrito pelo grande historiador holandês Johan Huizinga, em 1938. Dizem que essa obra é muito apreciada pelos bicheiros capitão Guimarães, Turcão e Anísio Abraão, todos temporariamente presos.

O Homo Ludens, segundo propalado, é da predileção do Waldomiro Diniz e do Carlinhos Cachoeira, que ainda estão soltos. Pelo jeito, Huizinga vem sendo mal interpetado,--também--, por um ministro do STJ, dois desembargadores e juízes que concedem liminares para liberar máquinas eletrônicas de jogos de azar.

Comenta-se à boca-pequena que o chefão Castor de Andrade morreu balbuciando uma frase do Huizinga, ou seja, “O jogo está além do bem e do mal”.

Esse furacão já passou pelo Arizona. Lá levou à prisão o proprietário da Recreativos Franco. Essa empresa espanhola é a maior fornecedora mundial de componentes para jogos eletrônicos de azar.


No Brasil, oito em cada dez máquinas têm componentes da Recreativos Franco.



O espanhol Franco acabou preso no Arizona por subornar o chefe da fiscalização das máquinas dos cassinos norte-americanos. Segundo a polícia e a perícia, nas máquinas eletrônicas da Recreativos Franco apreendidas, os programas davam chances mínimas ao apostador.

Para sair da cadeia, Franco pagou a mais alta fiança fixada pela Justiça do Arizona.

No Brasil, o Furacão atingiu o máximo na escala Simpson. Mostrou que Huizinga tem razão ao sustentar que o desvirtuamento do jogo está na figura deletéria do banqueiro, do investidor da jogatina.

É bom lembrar que o crime organizado com formato piramidal, --portanto com cúpula de governo--, atua parasitariamente. Ou seja, encosta, gruda, em órgãos de poder do Estado, em especial no Judiciário e no Legislativo.

Os jogos eletrônicos de azar, no Brasil, começaram com o dinheiro do tráfico de 900 kg de cocaína colombiana.

Para tanto, um dos maiores lavadores de dinheiro sujo de cassinos e de drogas do planeta, o italiano Fausto Pellegrinetti, fez acordos com a cúpula do bicho do Rio. Em São Paulo, com Ivo Noal e o empresário da jogatina Alejandro Ortiz.



De início, foram espalhadas pelo Brasil 35 mil máquinas eletrônicas. Lógico, com componentes da Recreativo Franco.

Em face da proporção da Operação Furacão preocupa o fato de ainda não se conhecer o teor das provas. Mais, de as prisões temporárias ainda não terem sido transformadas em prisões preventivas.

Está claro que o furacão também atingiu o recém-empossado ministro da Justiça, Tarso Genro. O ministro Tarso se omitiu. Assim, permitiu que a polícia dificultasse o contato dos advogados com clientes e as provas do inquérito.

Isso é inadmissível num Estado de Direito e corriqueiro numa republica de Bananas. O ministro Tarso Genro começou muito mal, bananeiramente.


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