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VIOLÊNCIA. Brasileiros querem a pena de morte, revela o DataFolha.

Por Wálter F Maierovitch/Rádio CBN/Justiça e Cidadania

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10 de abril de 2007.



Os recortes dos jornais e das revistas da hemeroteca daqui do Instituto Brasileiro Giovanni Falcone espalharam-se pela mesa e não dá para trabalhar, sem remoção forçada dos “invasores de papel”.

Num recorte de 1977, marelado pelo tempo, consta que o governador de Massachussets reconheceu, oficialmente, a ocorrência de erro judiciário no julgamento que levou à cadeira-elétrica os operários Nicola Sacco e Bartolomeu Vanzetti, executados por duplo latrocínio em 23 de agosto 1927. A condenação foi imosta em 4 de julho de 1921 e a execução mais de seis anos depois.

Os dois tinham ideologia anarquista. Como mostrado no filme Sacco e Vanzetti, --produzido em 1971 e recordista de bilheterias--, os norte-americanos discriminavam os imigrantes europeus, depois da Primeira Guerra.

Os norte-americanos suspeitavam que todos os europeus eram exportadores e ativistas de esquerda, além de ateus e ladrões. Desde 1919, um movimento religioso criou nos EUA o chamado fundamentalismo dos protestantes. E no estado de Massachussets, os fundamentalistas (buscavam a interpretação literal dos escritos sagrados) eram largamente majoritários.

O mais novo recorte da hemeroteca do Instituto Brasileiro Giovanni Falcone é do último domingo. Segundo pesquisa do DataFolha, 55% dos brasileiros são favoráveis à instituição da pena de morte. Dado interessante mostra que, -- na região Sul do Brasil, 66% dos homens são favoráveis à pena de morte. E 27% das mulheres sulistas não são contrárias à pena capital, no menor porcentual regional dos favoráveis à introdução da pena de morte. Pelo DataFolha, no sudeste 42% das mulheres são favoráveis, no nordeste 47% e no norte e centro-oeste 38%.

A pena de morte, além do problema do risco do erro judiciário, contrária os princípios da ética social. Revela, ausência de civilidade. E serve para indicar o grau de barbárie de uma sociedade, num determinado momento histórico.

Segundo a Anistia Internacional, todos os anos 5 mil pessoas são condenadas à morte e executadas. Neste ano de 2007 já foram eliminados 66 condenados.

Na China, cerca de 10 réus são anualmente condenados. Recebem um tiro na nuca e os órgão são retirados para transplantes em pessoas necessitadas.



O Código Penal da China, que é de 1997, relaciona 68 crimes que podem ser punidos com a pena capital.

Nos EUA, a pena de morte é prevista em 38 dos 50 estados-federados. Numa ambigüidade ética, os governos autorizam,-- em substiotuição à forca, câmara de gás, cadeira elétrica, etc, a aplicação de uma injeção letal, por questões humanitárias: o fator humanitário só conta na eliminação do ser humano.

Para ingresso na União Européia, o país candidato tem de ser abolicionista. E o Parlamento Europeu, aprovou, no final de fevereiro deste ano, uma recomendação para as Nações Unidas. Os eurodeputados pedem a decretação de uma moratória quanto à pena capital. Uma moratória universal, imediata e incondicional. E a suspensão ocorreria até que os estados-membros da ONU elaborassem uma Convenção a respeito do tema.

Infelizmente, a recomendação não deve será acolhida no Conselho de Segurança das Nações Unidas, pois China e EUA não desejam suspender a pena de morte, das suas legislações penais. Tudo sem esquecer que os governos do Iraque e do Afeganistão fazem o papel de carrascos da vontade de George W.Bush.

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RETROSPECTIVA



Festival de Veneza: apresentada minissérie sobre Sacco e Vanzetti.

A 62ª. Mostra Internacional de Cinema de Veneza teve início de forma espetacular. Ela começou no último dia de agosto e terminará em 10 de setembro.

O desfile de abertura ocorreu na Praça de San Marco. Dentre astros e estrelas da primeira grandeza do cinema destacou-se George Clonney, que está concorrendo com o filme Good Night and Good Luck”.

O encanto marcou o primeiro dia de exibições. Todos saíram tocados pela mini-série exibida e destinada à televisão. A propósito, uma mini-série caríssima. Fala-se em 6 milhões de euros.

Essa mini-série explora, com enfoque novo e inédito, um tema que já foi objeto de filme. O tema é a tragédia dos anarquistas Sacco e Vanzetti. O filme conhecido tinha foco certo, ou seja, o processo e o julgamento de Sacco e Vanzetti Exibido em 1971, virou sucesso de bilheterias, com o astro francês Jean Marie Volontè.

Nicola Sacco e Bartolomeu Vanzetti eram imigrantes italianos que, depois da Primeira Grande Guerra, partiram para a América e morreram na cadeira-elétrica, em Massachussets. Eles foram acusados de duplo latrocínio (matar para roubar).

As vítimas trabalhavam para uma fábrica de sapatos, a Slater & Merri Shoe. Elas transportavam duas caixas cheias de dólares, destinados ao pagamento dos salários dos operários da fábrica de sapatos. A fábrica ficava na pequena cidade de Soupt Brainther.

Referidas vítimas foram supreendidas por dois assaltantes armados que saltaram de um automóvel Buick, dirigido por um terceiro. Elas acabaram baleadas e mortas.

Festival de Veneza, nova minisserie.


Passado algum tempo das mortes, Sacco e Vanzetti foram presos. Isso depois de uma tentativa frustrada de assalto.

No carro onde estavam foram encontradas duas armas e eles usavam boné e chapéu, semelhantes aos dos latrocídas. No processo e durante o julgemento, os peritos concluíram que uma das armas apreendidas, naquele frustrado assalto, tinha sido utilizada nos latrocínios.

No primeiro pós-guerra mundial, os americanos tinham uma verdadeira histeria com relação aos indesejados imigrantes europeus. Temiam que eles contaminariam os EUA com ideologias européias de esquerda e o ateísmo. E o Estado de Massachussetes, onde ocorreu o duplo latrocínio, era conservador, fortemente protestante fundamentalista e reacionário.

Sacco e Vanzetti eram de esquerda e confessos anarquistas. Ou seja, estavam em lugar errado, de fanatismo, racismo e nacionalismo. Eles mal entendiam a língua inglesa e eram discriminados como todos os imigrantes europeus.



Sacco e Vanzetti: vítimas da intolerância e da discriminação.

Condenados à pena de cadeira elétrica, em 4 de julho de 1921, Sacco e Vanzetti só foram executados em 23 de agosto de 1927. Assim, permaneceram mais de 6 anos num verdadeiro tormento. E esse período é bem explorado na mini-série.

A mini-série foca o lado humano, sensível, de Sacco e Vanzetti e as suas relações fraternas de amizade.

Os italianos Ennio Fantastichini e Ana Caprioli são os protagonista dessa ficçao televisiva. A mini-série, conforme anunciado, será mostrada em outubro de 2005, a começar pela Mediaset, que um canal italiano privado, concorrente da estatal RAI.

Comenta-se que várias emissoras estrangeiras estão interessadas em levar a mini-série para os seus países. E, talvez, possa chegar ao Brasil. O diretor da mini-série é Fabrizio Costa. A mini-série foi rodada na Bulgaria e o cenário montado imita um bairro de imigrantes italianos de Boston, onde viveram Sacco e Vanzetti.

Na minissérie, segundo os críticos do jornal italiano La Repubblica, deu nova dimensão às injustiça e à tragédia final.

Sacco e Vanzetti:mais de 6 anos de espera pela cadeira elétrica

Até a surpreendente relação de amizade estabelecida entre Sacco e Vanzetti restou abordada. E era incomum, à época, pelas diferenças regionais e rivalidades entre o Norte e o Sul. Vanzetti era do Norte (Piemonte)-- e Sacco do Sul (Puglia). A mini-série transcorre em período particular, em que as minorias,- representadas pelos imigrantes--, não tinham voz nos EUA e nenhuma força para influenciar nos governos. Para o diretor Fabrizio Costa, a minissérie é uma história humana de injustiças e perplexidades. Ele alerta: -"Aquele que assitir a minissérie deverá tirar as próprias conclusões, diante de um fato certo, ou seja, dois anarquistas que só foram condenados porque eram ativistas de esquerda.
WFM/IBGF, setembro de 2005.


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