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GUIDO MANTEGA: emenda pior do que o soneto.

Por Wálter F Maierovitch/Rádio CBN/Justiça e Cidadania

Guido mantega, ministro da Fazenda.



Jornalista Milton Jung, estou muito surpreso. É que acabei de ler no jornal O Globo (27/2/2007) a carta enviada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. Aí, recordei o poeta português Bocage.

Certa vez, Bocage recebeu de um iniciante uma poesia para analisar, conferir a métrica e emendar.

Pois bem, Bocage devolveu a poesia sem os reparos esperados. E justificou: pior seria a emenda do que o soneto.

A expressão, pior a emenda do que o soneto, consagrada a partir de Bocage, aplica-se ao ministro Mantega, na carta ao Globo.

O ministro negou que tivesse deixado de informar o assalto que sofrera no carnaval, na paulista cidade de Ibiúna. Mantega passou mais de 4 horas passadas como refém de assaltantes armados: estava com a esposa, filhos e amigos.



Para a esposa de Mantega, eram ladrões de galinha, todos muito educados. Podemos emendar: gente-finíssima. Mais isso conta pouco, depois que se descobriu a síndrome de Estocolmo, que leva a vítima a minimizar a situação de risco. Na carta de Mantega, no entanto, tem um pequeno detalhe da sua insensibilidade. Mantega apenas informou depois de 12 horas do assalto consumado. Ou seja, Mantega deu um tempinho para os ladrões. Foi até Brasília, participou de reuniões e, -- quando deu . . ., ligou para avisar o governador de São Paulo. Afinal de contas, uma questão de somenos importância, que jamais afetaria o índice Nasdaq. Em momento algum, ocorreu ao ministro Mantega que os assaltantes, armados, poderiam praticar outros crimes. E, lógico, fazer novas vítimas, sem a polícia no encalço.

Passou despercebido a Mantega, ainda, que o Brasil vive uma escalada de violência e de intranqüilidade. E o país sofre com a epidemia dos seqüestros relâmpagos e a epidemia, por telefonemas, das extorsões mediante falso seqüestro. Aliás, a maior parte dessas extorsões são realizadas de dentro dos presídios, com emprego de celulares clonados ou pré-pagos. Portanto, avisar a destempo a polícia,-- como fez o ministro Mantega--, representa insensibilidade social. E o silêncio ou atraso de Mantega representou contribuições à impunidade e ao desprestígio da polícia e da Justiça.

A divulgação da consumação do crime, -- que o ministro Mantega não quis ver apurado em tempo hábil--, ocorreu no dia seguinte à declaração ufanista do ministro da Justiça. Para Márcio Thomaz Bastos, o país, em termos de segurança pública, está no caminho certo.

Com essa avaliação de Bastos concordam, certamente, os membros do PCC, de organizações congêneres e quejandos, como diria Bocage para substituir o etc.

A importância de se comunicar à polícia em tempo razoável a ocorrência de crime é fundamental num Estado de Direito. Mais, trata-se de um dever da cidadania.

Pela Constituição, --e para contrastar a impunidade--, qualquer um do povo pode prender em flagrante. Mais, a denunciação caluniosa levada à polícia ou à Justiça é crime. O mesmo sucede com a prevaricação de funcionário público.

No caso da omissão, ou do retardo do ministro Mantega, a sociedade civil virou vítima.

WFM/CBN, 27 de fevereiro de 2007.


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