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ESPIONAGEM. TERROR. Justiça marca julgamento de 007 envolvidos em sequestro.

Por Wálter F Maierovitch/Rádio CBN/Justiça e Cidadania

O imã Abu Omar, seqüestrado em Milão por agentes da CIA, em fevereiro de 2003.




A “Casa Caiu” e os 007 a serviço de Bush acabaram se enrolando com a própria corda.

Um inédito julgamento acaba de ser marcado para o dia 8 junho deste ano de 2007, em Milão. E está provado que 25 agentes da CIA,-- e um coronel do Pentágono--, seqüestraram o imã egípcio Abu Omar, na cidade italiana de Milão, em fevereiro de 2003.

O egípcio Abu Omar tinha asilo político e vivia regularmente na Itália. Só que no Egito, contra ele, pendia uma mandado de prisão em face da suspeita de participar da rede terrorista Al Qaeda.

Um jatinho do time de basebol de Boston, alugado pela CIA por 5 mil euros a hora de vôo, transportou o imã da Itália para uma prisão no Cairo, com escala na Alemanha.

Está evidente que houve acordo secreto entre os governos Bush e do então premier italiano Sílvio Berlusconi. À época, Berlusconi era um segundo fâmulo de Bush, depois de Tony Blair.




Para o Ministério Público de Milão, o acordo violou a Constituição, que admite apenas a extradição e não o cometimento de crime de seqüestro, com violação de soberania por parte de agentes da CIA.

O atual premier demissionário, Romano Prodi, já colocou a pizza no forno. Ou seja, acionou a Corte Constitucional italiana para evitar a produção de provas e, com isso, absolver o então chefe da espionagem militar italiana, general Nicolò Pollari: o general foi afastado do cargo e, na Justiça, nega-se a falar sobre o que chama de questão de “Segredo de Estado”. Como Prodi é de Bologna e a pizza é napolitana, algo pode dar errado.

Para o demissionário Prodi, a Magistratura não poderia se envolver em “Questão de Estado”, afeta unicamente ao poder executivo. E nem poderia, no processo, tornar público documentos secretos (como, por exemplo, interceptações telefônicas), até sob risco de represália terrorista.

Por outro lado, a magistratura já encaminhou ao ministério da Justiça um pedido de extradição dos 25 agentes da CIA, que já caíram fora da Itália e jamais serão entregues pelos EUA. Depois de mais de 3 anos de prisão no Egito e submetido a torturas diárias, o imã Abu Omar está em liberdade vigiada, na cidade egípcia de Alexandria.

O então primeiro ministro italiano Silvio Berlusconi sapeca um abraço e um beijo em Bush.


O advogado do imã Abu Omar, na última semana de fevereiro de 2007, vai propor uma milionária ação indenizatória contra o governo italiano, dado como cúmplice de seqüestro. Seqüestro executado pela CIA com apoio de 007 do serviço secreto militar italiano (SISMI).

A questão é gravíssima, pois o terrorismo deve ser combatido dentro da legalidade.

Existe um caso análogo de seqüestro em território da Alemanha e o juiz alemão competente para examinar o caso já decretou a prisão de 13 agentes da Cia.

Resumo dessa ópera bufa: A Casa Caiu para os 007 com plumagem de araponga.

WFM/CBN, 15 fevereiro de 2007.


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