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VIOLÊNCIA. TRAGÉDIA DE CATÂNIA. Ultrà-holligan italiano. Identificado menor de 17 anos que golpeou o policial Raciti.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

Suspeitos.


1.Por meio de um fotograma (foto ao lado), a polícia identificou e ouviu o menor, de 17 anos, que com uma barra de berro golpeou o figado do inspetor de polícia Filippo Raciti.

O policial Raciti morreu de hemorragia. O cano de ferro foi tirado do banheiro do Estádio do Catânia. O menor negou envolvlimento, mas um seu colega, também mostrado no fotograma, o delatou.

Os menores que estavam encapuzados quando dos ataques integram os ultrà (holligans italianos) tiraram e guardaram as blusas na saída do estádio. Tiraram, também, os gorros. Assim, passaram pelas telascâmeras na saida no estádio para ficar registrado como estavam vestidos. No caso de comparações, seriam excluídos porque não usavam as blusas que seriam mostradas com os agressores.

2. Um outro suspeito é integrante da Forza Nuova, uma organização de ultrà neo-facistas.

3.O campeonato italiano prossegue no final de semana. Em 5 estádios não serão admitidos expectadores, com exceção dos que compraram o pacote de ingressos para todo o campeonato, vendidos antecipadamente.
Nos 5 estádios interditados para o público, jogaram: a) Milan e Livorno; Chievo e Inter; c)Messina e Catânia, d) Atalanta e Lazio, e) Fiorentina e Udinesi.

4. Não haverá impedimento de público nas partidas em Gênova, Roma, Palermo, Torino e Gaglieri, pois os estádios atendem às determinações estabelecidas na legislação em vigor. WFM/IBGF, 8/2/2007. .........................

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RETOSPECTIVA

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OLHO.

Depois da tragédia de Catânia, o Conselho de Ministros italianos, reunido extraordinariamente, deliberou endurecer a legislação para reprimir a violência nos estádios de futebol.

Mais uma vez, o ministro do Interior (responsável pela segurana pública) e a ministra do Esporte, alertaram para as relações prosmíscuas entre dirigentes, jogadores e torcidas organizadas.

Dessa promiscuidade alguns casos são citados pela imprensa italiana: 1.Kaká, Gattuso, Gilardino e Inzaghi cederam graciosamente os direitos de imagem para as Brigate Rossonera, uma organizada com 3 mil membros.

MATÉRIA.

A tragédia na siciliana Catânia, por ocasião da partida de futebol entre o time da casa e o Palermo, representa um capítulo a mais de horrores. Tempos atrás, quando se falava na Itália rica do Norte e na paupérrima região Meridional, explicava-se a violência pela fome, pela indigência ou pela mafia.

As causas da violência são outras no mundo da bola e a região setentrional não é diferente da meridional. No drama de Catânia, um dos “ultrà” filmados usava jaqueta da cara griffe Dolce & Gabbana, outro era estudante, filho de médico de classe média.

Atos de violência, com agressões físicas e manifestações racistas, dentro e fora das quatro linhas, estão, também, muito presentes na capital italiana. Na Lazio, a esquadra do coração de Mussolini, o um centroavante é o neofascista Paolo Di Canio. Segundo o jornal La Repubblica, 25% dos ultrà são neofacistas, 6% se rotulam como radicais de esquerda e 56% não se consideram politizados. O jornal Corriere dela Sera mostra que das quatro organizadas da torcida da Inter, duas são de direita, uma é neonazista (Irriducibili) e uma de extrema direita (Viking). Para o policial britânico Naughton Graham, responsável pelo setor de inteligência criado especialmente para coletar informações voltadas a impedir as ações dos “hooligans”, as torcidas organizadas mais violentas do planeta, depois das inglesas, estão na Polônia, Turquia, Alemanha, Holanda e Rússia.
Racismo nos campos italianos.



Da batalha campal de Catânia, premeditada pelos “ultrà”, saíram feridas mais de 150 pessoas, além do assassinado o inspetor de polícia Filippo Raciti. A autópsia revelou que Raciti teve o fígado rompido por pancadas desferidas por torcedor encapuzado, presumidamente menores de idade, mostrados em imagens de câmeras fiscalizadoras. Apesar de ferido e com hemorragia interna, Raciti continuou no trabalho até ser atingido pela explosão de uma bomba caseira. Aliás, as bombas eram vendidas no centro da cidade, por imigrantes africanos. Quanto às barras e bastões usados pelos “ultrà”, foram guardados no próprio estádio, com conivência do zelador. Não bastasse e como sustentaram os ministros do Interior e do Esporte, Giuliano Amato e Giovanna Melandri, existe uma relação promíscua entre dirigentes dos clubes de futebol e as torcidas organizadas. Para ficar em dois exemplos, o chefão dos “Commandos”, quando da festa de gala pela conquista do campeonato de 2004, estava na mesa vizinha a de Sílvio Berlusconi. No site dos ultrà denominados Brigadas Vermelho-negra, Kaká e Gattuso cederam graciosamente os direitos de imagem.

No Brasil a promiscuidade também existe, como sempre lembram os jornalistas esportivos. Só que no futebol italiano é mais marcante, pois as organizadas fazem parte de um show que movimenta o equivalente a 3% do Pib nacional.

O premier Romano Prodi, na reunião do Conselho de Ministro de quarta 7, mostrou que o governo quer endurecer a legislação e providências administrativas estão sendo tomadas, apesar dos protestos dos cartolas, em especial o do presidente do Napoli.

Como regra, os jogos serão disputados à tarde. Para as série A e B e em 20 estádios, os jogos ocorrerão com portões fechados ao público. Dos 22 estádios liberados ao público, 15 são de esquadras da série A.

Jogos no estádio de San Siro, dependerão de alvará do chefe de polícia de Milão.

No ano 2000 e para enfrentar os hooligans, o governo de Tony Blair, conseguiu aprovar uma legislação especial. Muitas das normas afrontam garantias individuais, mas algumas são legítimas e de bons resultados: além de câmeras instaladas, são registrados em base-de-dados o nome do comprador do ingresso e o número do assento onde deverá permanecer no curso da partida.. Os serviços de inteligência inglês, na semana que antecede as partidas, infiltraram agentes em locais freqüentados por torcedores violentos. O governo italiano, ainda sob impacto do sucedido em Catânia, pode atropelar a Constituição. Exemplo claro disso é se protrair, diferir por 48 horas, o tempo do estado de flagrância. Ou seja, 48 horas para a polícia checar as filmagens e identificar os culpados. Num estado de direito, tal situação não é de flagrante e, portanto, a polícia necessita postular em juízo a decretação da prisão preventiva. O sistema inglês de se manter um juiz nos estádios não será adotado na Itália, que tem rito abreviado e preserva a garantia do juiz natural.. No rito do “bate-pronto” inglês, viola-se o princípio universal da ampla defesa. A reação da sociedade civil ao massacre de Catânia mostra que nem tudo está perdido. Uma multidão indignada e comovida acompanhou o funeral, que foi transmitido pela RAI.

WFM, 07 de fevereiro de 2007.
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Ontem, uma multidão indignada acompanhou os funerais da primeira vítima, deste ano de 2007, dos hooligans italianos, lá chamados de “ultrà”.

Durante o cortejo fúnebre, e também no interior do Duomo de Catânia, o filho de 9 anos da vítima Filippo Raciti vestia uma réplica de uniforme militar e nos ombros carregava, orgulhoso, as divisas conquistadas pelo pai, um tranqüilo inspetor de polícia da cidade siciliana de Catânia.

Conforme o resultado da autópsia, a causa da morte foi hemorragia decorrente do rompimento do fígado, por pancadas de torcedores. Fora isso, uma bomba caseira explodiu no peito de Filippo.

A violência vem crescendo de forma assustadora nos estádios de futebol, num fenômeno que sociólogos europeus chamam de racismo social, ou seja, intolerâncias às policias e aos cidadãos que não são vândalos e nem delinqüentes. Responsável pelo serviço de inteligência britânico que coleta informações voltadas a impedir as ações dos “hooligans” , o policial Naughton Graham, relacionou as torcidas organizadas mais violentas do planeta, depois das inglesas. São elas: as polonesas, turcas, alemãs, holandesas e russas.

O filho de Raciti, no cortejo fúnebre, usou no ombro as divisas do pai massacrado


Para colher informações, Naughton infiltra seus comandados em discotecas, cafés, bares, escolas e universidades, ou seja, seleciona pontos freqüentados por pessoas violentas, freqüentadoras de estádios de futebol.

. Naughton analisou os ataques ocorridos na última sexta feira, quando do clássico siciliano entre Catânia e Palermo, com mais de 150 feridos.

Segundo ele, há uma diferença entre os “hooligans” britânicos e os “ultrà” italianos. Os “hooligans” atacam por impulso, ao contrário dos “ultrà” que premeditaram tudo, como guerrilheiros urbanos.

A semelhança entre “hooligans” e “ultra” está na ingestão de álcool misturada ao uso de cocaína.

O campeonato italiano está suspenso, mas, segundo analistas, não passa do o próximo final de semana (9 de fevereiro). Amanhã (7 de fevereiro), o primeiro-ministro Romano Prodi vai reunir o Conselho de Ministros.

O premiê quer uma legislação de emergência para o futebol, como se fez para combater a criminalidade organizada mafiosa. Como observou o promotor de Justiça de Veneza, o enquadramento legal já existe, ou seja, “associação para delinqüir” (formação de quadrilha ou bando), nos termos do artigo 416, caput, do Código Penal Italiano.

A ministra dos Esportes e o ministro do Interior falam abertamente na necessidade de acabar com a promiscuidade entre dirigentes dos clubes de futebol e os “ultrà”.

Para ter idéia da debilidade da legislação em vigor, a polícia italiana não pode, em caso de conflito, usar hidrantes para lançar jatos d´água em torcedores-delinqëntes.

Na Inglaterra, além de câmeras, o nome do comprador do ingresso é registrado, bem como a cadeira onde deve ficar durante a partida. E o policial pode retirar do estádio, -- por mera suspeita -- até o torcedor que exibe tatuagens agressivas.

Para o chefe da inteligência do futebol britânico, a pior das torcidas organizadas era a do Chelsea, que acabou controlada quando percebeu que o governo garantia a ordem e a segurança.

No ano 2000, o governo britânico do premier Blair aprovou a lei denominada Football Act e nenhum infrator identificado ficou impune, até agora. PANO RÁPIDO:

O nome hooligan foi tirado do violentíssimo criminoso irlandês Patrick Ruligan. Segundo levantamentos, 25% dos hooligans italianos ( ultrà) são neofacistas; 56% não são politizados, 13% se dizem de esquerda e 6% são radicais de esquerda. Na verdade, são selvagens, deseducados para a vida democrática e imbecis.

Racismo no estádio Olímpico de Roma.





Comentário: WFM/CBN, 06 de fevereiro de 2007.


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