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Tenente Watada: traidor ou traído? Julgamento começou na segunda feira, perante Corte Marcial dos EUA.

Por Wálter F Maierovitch/Rádio CBN/Justiça e Cidadania

tenente Ehran Watada.





Traidor ou Traído ? O julgamento dessa controvérsia,-- traidor ou traído--, começou na segunda feira passada (5 fevereiro 2007) e deverá estar concluído amanhã, sexta feira (9 fevereiro de 2007).

A sentença, -- sobre traidor ou traído--, será dada pela Corte Marcial do Forte Lewis de Washington. Interessa diretamente ao presidente Bush, que teme um catastrófico precedente.

Pela primeira vez,-- pós Vietnã--, um oficial do exército norte-americano se recusa a acompanhar tropas de combate no exterior. No caso, o oficial nega-se a partir ao Iraque para se incorporar às forças invasoras daquele país.

O oficial é o tenente Ehran Watada, de 28 anos, nascido no Hawaí. Sua mãe é sino-americana e o pai japonês naturalizado norte-americano: ambos estão envolvidos com movimentos pacifistas, há anos.

. O motivo para não embarcar a o Iraque é convincente e juridicamente tem peso para convencer os julgadores.
Watada alega que o conflito no Iraque é ilegal e imoral e, por isso, não quer ser cúmplice de crime de guerra.

Depois dos covardes ataques terroristas de 11 de setembro, Watada apoiou a intervenção no Afeganistão e a decisão de Bush de invadir o Iraque.

Por isso, em 2003, Watada entrou para a escola de formação de oficiais do exército americano e no ano seguinte (2004) serviu na Coréia, como tenente. No mês de junho de 2006, no entando, ele foi convocado para o Iraque e apresentou pedido de recusa, acenando estar disposto a combater na linha de frente no Afeganistão.

Ao ter o pedido negado, o tenente Watada resolveu, em entrevista, dar os motivos da recusa de partir para o Iraque. Watada frisou que Bush mentira, pois Saddam Hussein não tinha armas de destruição e nem havia celebrado aliança com a Al Qaeda de Osama bin Laden.

Por isso, sentia-se traído e deprimido, em especial depois de reler as Convenções da ONU, os princípios de Nuremberg e conhecer os relatórios sobre os abusos no presídio de Abu Ghraib.



Caso condenado pela Corte Militar, o tenente Watada pode pegar até 4 anos de prisão, além da perda da patente e expulsão do exército por indignidade.

Suas razões encontram sustentação em fatos reais. Até os esquilos dos jardins da Casa Branca sabem que Bush mentiu. E por mentir está agora metido numa camisa de sete varas. E a expressão camisa sete varas, no popular, significa estar com o Mico na mão.

Se o tenente Watada está sendo veraz, verdadeiro, nunca se saberá, pois impossível para um julgador da Corte penetrar no seu o íntimo. O certo, no entanto, é que, Bush, objetivamente, deu-lhe motivos justos para a recusa. Além disso, o tenente Watada não se nega a combater no Afeganistão, a demonstrar que não está a recusar o Iraque por medo. PANO RÁPIDO: As Cortes Marciais, como regra, levam mais em conta os valores castrenses, dos quartéis, do que os princípios contidos nas normas jurídicas. As Cortes Militares partem do princípio que ordens superiores não devem ser questionadas, mas obedecidas. Em outras palavras, a hierarquia tem força especial.

Apesar de merecer absolvição no Tribunal,-- e aplausos da sociedade civil--, dificilmente o tenente Watada deixará de ser condenado.

WFM/CBN, 8 de fevereiro de 2007.


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