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FUTEBOL. Kaká, Gattuso, Inzaghi e Gelardini cederam direitos de imagem para site de ultrà (hooligans italianos)

Por IBGF/WFM

Funeral de Filippo Raciti, policial vítima dos ultrà (hooligans italianos).





OLHO.

Depois da tragédia de Catânia, o Conselho de Ministros italianos, reunido extraordinariamente, deliberou endurecer a legislação para reprimir a violência nos estádios de futebol.

Mais uma vez, o ministro do Interior (responsável pela segurana pública) e a ministra do Esporte, alertaram para as relações prosmíscuas entre dirigentes, jogadores e torcidas organizadas.

Dessa promiscuidade alguns casos são citados pela imprensa italiana: 1.Kaká, Gattuso, Gilardino e Inzaghi cederam graciosamente os direitos de imagem para as Brigate Rossonera, uma organizada com 3 mil membros.

MATÉRIA.

A tragédia na siciliana Catânia, por ocasião da partida de futebol entre o time da casa e o Palermo, representa um capítulo a mais de horrores. Tempos atrás, quando se falava na Itália rica do Norte e na paupérrima região Meridional, explicava-se a violência pela fome, pela indigência ou pela mafia.

As causas da violência são outras no mundo da bola e a região setentrional não é diferente da meridional. No drama de Catânia, um dos “ultrà” filmados usava jaqueta da cara griffe Dolce & Gabbana, outro era estudante, filho de médico de classe média.

Atos de violência, com agressões físicas e manifestações racistas, dentro e fora das quatro linhas, estão, também, muito presentes na capital italiana. Na Lazio, a esquadra do coração de Mussolini, o um centroavante é o neofascista Paolo Di Canio. Segundo o jornal La Repubblica, 25% dos ultrà são neofacistas, 6% se rotulam como radicais de esquerda e 56% não se consideram politizados. O jornal Corriere dela Sera mostra que das quatro organizadas da torcida da Inter, duas são de direita, uma é neonazista (Irriducibili) e uma de extrema direita (Viking). Para o policial britânico Naughton Graham, responsável pelo setor de inteligência criado especialmente para coletar informações voltadas a impedir as ações dos “hooligans”, as torcidas organizadas mais violentas do planeta, depois das inglesas, estão na Polônia, Turquia, Alemanha, Holanda e Rússia.



Da batalha campal de Catânia, premeditada pelos “ultrà”, saíram feridas mais de 150 pessoas, além do assassinado o inspetor de polícia Filippo Raciti. A autópsia revelou que Raciti teve o fígado rompido por pancadas desferidas por torcedor encapuzado, presumidamente menores de idade, mostrados em imagens de câmeras fiscalizadoras. Apesar de ferido e com hemorragia interna, Raciti continuou no trabalho até ser atingido pela explosão de uma bomba caseira. Aliás, as bombas eram vendidas no centro da cidade, por imigrantes africanos. Quanto às barras e bastões usados pelos “ultrà”, foram guardados no próprio estádio, com conivência do zelador. Não bastasse e como sustentaram os ministros do Interior e do Esporte, Giuliano Amato e Giovanna Melandri, existe uma relação promíscua entre dirigentes dos clubes de futebol e as torcidas organizadas. Para ficar em dois exemplos, o chefão dos “Commandos”, quando da festa de gala pela conquista do campeonato de 2004, estava na mesa vizinha a de Sílvio Berlusconi. No site dos ultrà denominados Brigadas Vermelho-negra, Kaká e Gattuso cederam graciosamente os direitos de imagem.

No Brasil a promiscuidade também existe, como sempre lembram os jornalistas esportivos. Só que no futebol italiano é mais marcante, pois as organizadas fazem parte de um show que movimenta o equivalente a 3% do Pib nacional.

O premier Romano Prodi, na reunião do Conselho de Ministro de quarta 7, mostrou que o governo quer endurecer a legislação e providências administrativas estão sendo tomadas, apesar dos protestos dos cartolas, em especial o do presidente do Napoli.

Como regra, os jogos serão disputados à tarde. Para as série A e B e em 20 estádios, os jogos ocorrerão com portões fechados ao público. Dos 22 estádios liberados ao público, 15 são de esquadras da série A.

Jogos no estádio de San Siro, dependerão de alvará do chefe de polícia de Milão.

No ano 2000 e para enfrentar os hooligans, o governo de Tony Blair, conseguiu aprovar uma legislação especial. Muitas das normas afrontam garantias individuais, mas algumas são legítimas e de bons resultados: além de câmeras instaladas, são registrados em base-de-dados o nome do comprador do ingresso e o número do assento onde deverá permanecer no curso da partida.. Os serviços de inteligência inglês, na semana que antecede as partidas, infiltraram agentes em locais freqüentados por torcedores violentos. O governo italiano, ainda sob impacto do sucedido em Catânia, pode atropelar a Constituição. Exemplo claro disso é se protrair, diferir por 48 horas, o tempo do estado de flagrância. Ou seja, 48 horas para a polícia checar as filmagens e identificar os culpados. Num estado de direito, tal situação não é de flagrante e, portanto, a polícia necessita postular em juízo a decretação da prisão preventiva. O sistema inglês de se manter um juiz nos estádios não será adotado na Itália, que tem rito abreviado e preserva a garantia do juiz natural.. No rito do “bate-pronto” inglês, viola-se o princípio universal da ampla defesa. A reação da sociedade civil ao massacre de Catânia mostra que nem tudo está perdido. Uma multidão indignada e comovida acompanhou o funeral, que foi transmitido pela RAI.

WFM, 07 de fevereiro de 2007.


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