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VIOLÊNCIA no futebol, tragédia. Promiscuidade entre hooligans italianos, ultrà, e dirigentes dos clubes de futebol.

Por Wálter F Maierovitch/Rádio CBN/Justiça e Cidadania

Filippo deixou viúva e dois filhos: menino de 9 e menina de 15 anos.




Ontem, uma multidão indignada acompanhou os funerais da primeira vítima, deste ano de 2007, dos hooligans italianos, lá chamados de “ultrà”.

Durante o cortejo fúnebre, e também no interior do Duomo de Catânia, o filho de 9 anos da vítima Filippo Raciti vestia uma réplica de uniforme militar e nos ombros carregava, orgulhoso, as divisas conquistadas pelo pai, um tranqüilo inspetor de polícia da cidade siciliana de Catânia.

Conforme o resultado da autópsia, a causa da morte foi hemorragia decorrente do rompimento do fígado, por pancadas de torcedores. Fora isso, uma bomba caseira explodiu no peito de Filippo.

A violência vem crescendo de forma assustadora nos estádios de futebol, num fenômeno que sociólogos europeus chamam de racismo social, ou seja, intolerâncias às policias e aos cidadãos que não são vândalos e nem delinqüentes. Responsável pelo serviço de inteligência britânico que coleta informações voltadas a impedir as ações dos “hooligans” , o policial Naughton Graham, relacionou as torcidas organizadas mais violentas do planeta, depois das inglesas. São elas: as polonesas, turcas, alemãs, holandesas e russas.



Para colher informações, Naughton infiltra seus comandados em discotecas, cafés, bares, escolas e universidades, ou seja, seleciona pontos freqüentados por pessoas violentas, freqüentadoras de estádios de futebol.

. Naughton analisou os ataques ocorridos na última sexta feira, quando do clássico siciliano entre Catânia e Palermo, com mais de 150 feridos.

Segundo ele, há uma diferença entre os “hooligans” britânicos e os “ultrà” italianos. Os “hooligans” atacam por impulso, ao contrário dos “ultrà” que premeditaram tudo, como guerrilheiros urbanos.

A semelhança entre “hooligans” e “ultra” está na ingestão de álcool misturada ao uso de cocaína.

O campeonato italiano está suspenso, mas, segundo analistas, não passa do o próximo final de semana (9 de fevereiro). Amanhã (7 de fevereiro), o primeiro-ministro Romano Prodi vai reunir o Conselho de Ministros.

O premiê quer uma legislação de emergência para o futebol, como se fez para combater a criminalidade organizada mafiosa. Como observou o promotor de Justiça de Veneza, o enquadramento legal já existe, ou seja, “associação para delinqüir” (formação de quadrilha ou bando), nos termos do artigo 416, caput, do Código Penal Italiano.

A ministra dos Esportes e o ministro do Interior falam abertamente na necessidade de acabar com a promiscuidade entre dirigentes dos clubes de futebol e os “ultrà”.

Para ter idéia da debilidade da legislação em vigor, a polícia italiana não pode, em caso de conflito, usar hidrantes para lançar jatos d´água em torcedores-delinqëntes.

Na Inglaterra, além de câmeras, o nome do comprador do ingresso é registrado, bem como a cadeira onde deve ficar durante a partida. E o policial pode retirar do estádio, -- por mera suspeita -- até o torcedor que exibe tatuagens agressivas.

Para o chefe da inteligência do futebol britânico, a pior das torcidas organizadas era a do Chelsea, que acabou controlada quando percebeu que o governo garantia a ordem e a segurança.

No ano 2000, o governo britânico do premier Blair aprovou a lei denominada Football Act e nenhum infrator identificado ficou impune, até agora. PANO RÁPIDO:

O nome hooligan foi tirado do violentíssimo criminoso irlandês Patrick Ruligan. Segundo levantamentos, 25% dos hooligans italianos ( ultrà) são neofacistas; 56% não são politizados, 13% se dizem de esquerda e 6% são radicais de esquerda. Na verdade, são selvagens, deseducados para a vida democrática e imbecis.

Funeral de Filippo Racidi, tranqüilo inspetor policial da siciliana Catânia.





Comentário: WFM/CBN, 06 de fevereiro de 2007.


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