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De BIGGS a LALAU, com Pamuk de permeio:sustos, coincidências e contradições.

Por Wálter F Maierovitch/Rádio CBN/Justiça e Cidadania




Vanessa di Sevo: tudo bem Dr.Maierovitch?

Vanessa, estou entre sustos, coincidências e contradições.

Assustou a notícia de estar sob proteção policial o ganhador do último prêmio Nobel de literatura, Orhan Pamuk. Ele vem recebendo ameaças de morte.

O certo é que o escritor Pamuk não faz média. Não se incomoda, no seu ambiente e país, com o “politicamente correto”. Pamuk enfrenta os seus radicais concidadãos turcos com escritos e idéias. Ele se bate por um modelo social baseado na “valorização das diferenças”.

CBN.


Depois do susto, veio a coincidência. No maravilhoso livro intitulado Neve, do premiado Pamuk, encontrei, à página141, a afirmação de que cada pessoa tem uma estrela. Aí, comecei a pensar na estrela do juiz Nicolau dos Santos Neto e na do Ronald Biggs, aquele que assaltou o trem pagador na Inglaterra e escolheu o Rio de Janeiro, Cidade Maravilhosa, para morar. Por não existir hospital penitenciário adequado, o juiz apelidado Lalau vai descontando a sua pena de 26 anos no conforto da sua mansão, no aristocrático bairro do Morumbi, em São Paulo.

Já o Ronald Biggs, no começo de 2001, doente e duro, preferiu o hospital penitenciário londrino aos hospitais públicos do Rio de Janeiro. Biggs tomou um jatinho alugado por um jornal britânico (The Sun, ao qual concedeu entrevista exclusiva) e se entregou à Scotland Yard, ou seja, à polícia inglesa que Biggs passou grande parte da sua vida dando chapéus e dribles da vaca.



Registro: o assalto ao trem pagador consumou-se em 1963. Os assaltantes subtraíram 2,6 milhões de libras esterlinas. Identificado e preso, Biggs fugiu de prisão britânica em 1965 (com cordas, venceu muros e ultrapassou obstáculos). Em Paris fez plástica. Depois de passar pela Austrália, chegou ao Brasil, em 1970. Chegou a vender camisetas e xícaras, forma encontrada para lavar dinheiro pequena parte do dinheiro roubado.

Ainda não se sabe se a aposentadoria mensal do juiz apelidado Lalau ultrapassa ou não o teto constitucional de R$22.111,25.

Sabe-se, no entanto, que a sua casa é um bem de família. E a nossa Costituição proíbe a penhora de bens de família, ainda que para compensar parte do que foi desviado na obra do Fórum Trabalhista.

juiz Nicolau, apelidado Lalau.


Tem mais. Pela natureza alimentar, não se pode penhorar, ainda segundo a nossa Constituição, os mais de 22 mil mensais que o juiz Nicolau embolsa todo mês

Pelo que se sabe, nenhum ladrão carioca viu a cor das libras esterlinas que Biggs roubou do trem pagador britânico.

Até agora, nenhum ladrão paulista sentiu o cheiro dos quase 3 milhões desviados das obras do Fórum Trabalhista, sob gestão de Nicolau. Além disso, a mansão-prisão do juiz Nicolau é vigiada pela polícia e por isso não há riscos de assaltos. PANO RÁPIDO: ainda bem que no Brasil, entre milhares de presos recolhidos em penitenciárias e empilhados em carceragens, somente o juiz Nicolau não pode ser tratado em hospital penitenciário.

Voltando a lembrar Pamuk e à estrela de cada pessoa, a do juiz Nicolau também brilha, naturalmente ou com gambiarras e gatos.

WFM/CBN, 1 de fevereiro de 2007.


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