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VIOLÊNCIA: Os Lobos Cinzas ameaçam matar o Prêmio Nobel de Literatura, Orhan Pamuk

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

Pamuk, nobel de literatura, em 2006.



OLHO.

Depois do assassinato e no dia seguinte ao do enterro do jornalista Hrand Dik (23 janeiro 2007), os Lobos Cinzas,-- organização criminosa formada por sanguinários nacionalistas extremistas e xenófobos--, querem eleiminar Orhan Pamuk.

Como Hrant Dink (turco de origem armênia), Pamuk lembrou que os turcos, em 1915, cometeram genocídio, ou seja, eliminaram 1,5 milhão de armênios e 30 mil curdos.

MATÉRIA.

O moderado premier turco, Recep Tayyip Erdogan, está sendo acusado de não conseguir conter a violência dos extremistas da ultra direita turca, fundadores, nos anos 70, dos Lobos Cinzas.vide matéria abaixo sobre essa organização criminosa

Erdogon ainda não conseguiu convencer o Parlamento da necessidade de editar lei abolindo o artigo 301 do Código Penal: o artigo tipifica como crime a afirmação de que os turcos massacraram os armênios na Primeira Guerra. O crime é considerado um insulto à identidade nacional turca.

A abolição desse crime é uma das exigência da União Européia e a Turquia pretente ingressar como estado-membro.

Erdogon afirmou já ter providenciado segurança para Pamuk, mas os jornais turcos de hoje (24 de janeiro de 2007), ainda em clima de comoção pelo brutal assassinato de Hrant Dink, mostram que Pamuk está entregue à própria sorte.

O jornal cotidiano turco Sahat chegou a publicar foto de Pamuk andando pelas ruas, sem escolta.

A nota triste, -- um verdadeiro papelão---, veio do premier italiano Romano Prodi. Em visita ao premier Erdogon, Prodi não disse uma palavra sobre o assassinato de Dink. Cobrado pela imprensa, em coletiva, Prodi esquivou-se frisando que muitos fatos passados são explorados politicamente, numa referência ao massacre dos armênios.

Por ser um dos principais parceiros comerciais da Itália, Prodi entendeu, num oportunismo com a ética de lado, não tocar na execução de Dink.

RETROSPECTIVA Em 23 de janeiro de 2007.

*por Wálter Fanganiello Maierovitch.

Hrant Dink, última foto.



Ouvintes da Rádio CBN e jornalista MILTON JUNG. Estou me sentido um armênio de coração e tocado pelo pensamento de Hannah Arend sobre “A Banalidade do Mal”.

No final de semana (19/1/2007), em Istambul e como informado no site do Instituto Brasileiro Giovanni Falcone (retrospectiva abaixo), foi executado um corajoso jornalista, com uma vida dedicada à defesa dos direitos humanos, do pluralismo e da democracia.

O jornalista Hrant Dink foi vítima de um killer dos “Lobos Cinzas”. Essa organização criminosa hoje atua com o rótulo de “Brigadas da Vingança Turca”. O modos operandi foi o usual dos Lobos Cinzas: um jovem misturado entre transeuntes ou multidões, que de repente ataca e a vítima é surpreendida. Com os disparos todos correm e o autor material assassino corre em fuga, no meio dos assustados cidadãos.

Os ultranacionalistas turcos fundaram os Lobos Cinzas nos anos 70. Essa organização criminal, -- de extrema direita— já assassinou intelectuais, universitários, jornalistas, armênios e curdos.

Dos Lobos Cinzas fez parte o turco Ali Agca que, em maio de 1981, tentou matar o papa João Paulo II, na Praça São Pedro. Dois anos antes, em 1979, Ali Agca executou a tiros o jornalista turco, de esquerda, Abdi Ipecki.

O jornalista Dink, de 52 anos, turco de nascimento e e armênio de origem, foi alvejado com três tiros. Isto quando deixava a redação da semanal e bilíngüe revista Agos, escrita em turco e armênio.

A Turquia enfrenta dificuldades para ingressar na União Européia, em especial por ter se transformado num palco de intolerâncias. O assassinato de Dink vai complicar, mais ainda, a aceitação da Turquia na comunidade européia. Mas, tudo que a ultra direita pretende é que a Turquia fique fora da União Européia e, assim, continuarão a aniquilar,-- pela intimidação e violência difundidas--, a liberdade de expressão. O falecido Dink tinha sido condenado na Turquia por afirmar o genocídio de armênios pelos turcos, em 1915.

Na Turquia isso é proibido. Ou melhor, é crime contra a identidade nacional alguém concluir pela responsabilidade turca pelo holocausto suportado pelos armênios. Uma das exigências da Comunidade Européia é a abolição desse crime. Por esse crime, já foram processados Orhan Pamuk, prêmio Nobel de literatura e a bela escritora Elif Shafak, de 35 anos, autora do best-seller “O Bastardo de Istambul”.

O jornalista assassinado, Hrant Dink, era estimado pela comunidade armênia que vive na Turquia e é composta por mais de 80 mil membros.

Quando criança, Dink viveu num orfanato. Isso ocorreu em razão da separação dos seus pais. Dink não guardava traumas disso. E no orfanato conheceu a esposa, sua única namorada e a quem dedicou poesias e escritos. PANO RÁPIDO: para a pensadora Hannah Arend, o mal não é misterioso. O mal é banal, vulgar. E por ser algo que compreendemos, podemos afastá-lo. Pena que a extrema direita turca, fascista e xenófoba, não adote o pensamento pacífico da saudosa filósofa Hannah Arend.

WFM/CBN, 23 de janeiro de 2007.

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RETROSPECTIVA IBGF, 19 de janeiro de 2007.

Hrand Dink





*por Wálter Fanganiello Maierovitch.

Hrant Dink, jornalista e escritor de origem armênia, foi assassinado em Istambul, defronte ao prédio da revista Argos, uma revista que fundou e promovia a defesa de direitos humanos.

Dink, quando assassinado, deixava a redação da revista Argos, onde era diretor de redação. Ele qualificou o massacre promovido pelos turcos contra os armênios, em 1915, como genocídio.

Na Turquia é crime tipificado no código penal (art.301) afirmar que os turcos massacraram os armênios : foi o holocaustro vivido pelos armênios.

Dink foi processado e condenado criminalmente por infração ao artigo 301: a execuçao da pena estava suspensa (sursis). Por também ter afirmado a ocorrência de genocídio, o vencedor do Prêmio Nobel de Literatura de 2006 está respondendo a processo.

A Turquia experimenta dificuldades para ingressar na União Européia. Uma das exigências que terá de cumprir é a revogação do supracitado artigo 301 do código penal, classificado como crime de "insulto à identidade nacional turca".

O jornalista, escritor e intelectual Dink tinha 53 anos de idade. A revista Agos era considerada a "voz da comunidade armênia". Dik escrevia, também, para os jornais Zaman e Birgun.

. Nascido na Turquia, Dink deixou sua cidade natal (Malatya) aos 7 anos e para morar num orfanato em Istambul. Formou-se em zoologia pela Universidade de Istambul e pós-graduou-se em filosofia. .


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