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MÁFIA: Lobos Cinzas executaram o jornalista HRANT DINK, de origem armênia.

Por Wálter F Maierovitch/Rádio CBN/Justiça e Cidadania

Hrant Dink, assassinado pelos inconformados com a liberdade de expressão, de opinião.





Ouvintes da Rádio CBN e jornalista MILTON JUNG. Estou me sentido um armênio de coração e tocado pelo pensamento de Hannah Arend sobre “A Banalidade do Mal”.

No final de semana (19/1/2007), em Istambul e como informado no site do Instituto Brasileiro Giovanni Falcone (retrospectiva abaixo), foi executado um corajoso jornalista, com uma vida dedicada à defesa dos direitos humanos, do pluralismo e da democracia.

O jornalista Hrant Dink foi vítima de um killer dos “Lobos Cinzas”. Essa organização criminosa hoje atua com o rótulo de “Brigadas da Vingança Turca”. O modos operandi foi o usual dos Lobos Cinzas: um jovem misturado entre transeuntes ou multidões, que de repente ataca e a vítima é surpreendida. Com os disparos todos correm e o autor material assassino corre em fuga, no meio dos assustados cidadãos.

Os ultranacionalistas turcos fundaram os Lobos Cinzas nos anos 70. Essa organização criminal, -- de extrema direita— já assassinou intelectuais, universitários, jornalistas, armênios e curdos.

Dos Lobos Cinzas fez parte o turco Ali Agca que, em maio de 1981, tentou matar o papa João Paulo II, na Praça São Pedro. Dois anos antes, em 1979, Ali Agca executou a tiros o jornalista turco, de esquerda, Abdi Ipecki.

O jornalista Dink, de 52 anos, turco de nascimento e e armênio de origem, foi alvejado com três tiros. Isto quando deixava a redação da semanal e bilíngüe revista Agos, escrita em turco e armênio.

A Turquia enfrenta dificuldades para ingressar na União Européia, em especial por ter se transformado num palco de intolerâncias. O assassinato de Dink vai complicar, mais ainda, a aceitação da Turquia na comunidade européia. Mas, tudo que a ultra direita pretende é que a Turquia fique fora da União Européia e, assim, continuarão a aniquilar,-- pela intimidação e violência difundidas--, a liberdade de expressão. O falecido Dink tinha sido condenado na Turquia por afirmar o genocídio de armênios pelos turcos, em 1915.

Na Turquia isso é proibido. Ou melhor, é crime contra a identidade nacional alguém concluir pela responsabilidade turca pelo holocausto suportado pelos armênios. Uma das exigências da Comunidade Européia é a abolição desse crime. Por esse crime, já foram processados Orhan Pamuk, prêmio Nobel de literatura e a bela escritora Elif Shafak, de 35 anos, autora do best-seller “O Bastardo de Istambul”.

O jornalista assassinado, Hrant Dink, era estimado pela comunidade armênia que vive na Turquia e é composta por mais de 80 mil membros.



Quando criança, Dink viveu num orfanato. Isso ocorreu em razão da separação dos seus pais. Dink não guardava traumas disso. E no orfanato conheceu a esposa, sua única namorada e a quem dedicou poesias e escritos. PANO RÁPIDO: para a pensadora Hannah Arend, o mal não é misterioso. O mal é banal, vulgar. E por ser algo que compreendemos, podemos afastá-lo. Pena que a extrema direita turca, fascista e xenófoba, não adote o pensamento pacífico da saudosa filósofa Hannah Arend.

WFM/CBN, 23 de janeiro de 2007.

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RETROSPECTIVA IBGF, 19 de janeiro de 2007.

Dink era odiado pela ultradireita turca: um jovem vestido de jeans e gorro branco surpreendeu a vítima e realizou 3 disparos, dois penetraram na cabeça.





*por Wálter Fanganiello Maierovitch.

Hrant Dink, jornalista e escritor de origem armênia, foi assassinado em Istambul, defronte ao prédio da revista Argos, uma revista que fundou e promovia a defesa de direitos humanos.

Dink, quando assassinado, deixava a redação da revista Argos, onde era diretor de redação. Ele qualificou o massacre promovido pelos turcos contra os armênios, em 1915, como genocídio.

Na Turquia é crime tipificado no código penal (art.301) afirmar que os turcos massacraram os armênios : foi o holocaustro vivido pelos armênios.

Dink foi processado e condenado criminalmente por infração ao artigo 301: a execuçao da pena estava suspensa (sursis). Por também ter afirmado a ocorrência de genocídio, o vencedor do Prêmio Nobel de Literatura de 2006 está respondendo a processo.

A Turquia experimenta dificuldades para ingressar na União Européia. Uma das exigências que terá de cumprir é a revogação do supracitado artigo 301 do código penal, classificado como crime de "insulto à identidade nacional turca".

O jornalista, escritor e intelectual Dink tinha 53 anos de idade. A revista Agos era considerada a "voz da comunidade armênia". Dik escrevia, também, para os jornais Zaman e Birgun.

. Nascido na Turquia, Dink deixou sua cidade natal (Malatya) aos 7 anos e para morar num orfanato em Istambul. Formou-se em zoologia pela Universidade de Istambul e pós-graduou-se em filosofia.


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