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Espiões/D.Humanos

 

O ESPIÃO DE BATINA- primeira parte.

Stanislaw Wielgus confessou que espionava para a SB polaca.



A interlocução é com o jornalista MILTON JUNG.
Estou desconfiado. Com a impressão de ter descoberto o lugar onde Epimeteo abriu a caixa da sua encantadora esposa Pandora. Com a caixa de Pandora aberta, todos os males, armazenados por Júpiter, saíram do seu interior e se espalharam mundo afora.

Ao tempo da Guerra Fria, os países da Europa do leste (bloco oriental) contavam com poderosas agências de espionagem, que produziam dossiês.

Com base nesses dossiês, foram cometidos inúmeros assassinatos, uma infinidade de prisões arbitrárias, vários atos de terrorismo de estado e a perpetração de incontáveis crimes contra a humanidade.



No Instituto da Memória Nacional de Varsóvia encontram-se os arquivos da agência de espionagem SB, que sustentava o regime comunista na Polônia.

Nesse Instituto polonês é que parece ter sido aberta, -- por esses dias--, a caixa de Pandora e escândalos eclesiásticos chegaram ao conhecimento do Vaticano e, também Urbi et Orbi.

Bastou o papa Bento XVI nomear o monsenhor Stanislaw Wielgus como cardeal arcebispo de Cracóvia para vazarem informes contidos nos dossiês da SB da espionagem. E o monsenhor Wielgus teve de renunciar. No seu Meã Culpa, Wielgus confessou que era um espião. Na verdade, um caso de sui-generis espião de batina, jamais imaginado pelos produtores dos 007 do cinema.

Como se percebe, o papa Ratzinger entrou em 2007 com o pé-esquerdo. Por Cracóvia havia passado o seu antecessor e amigo Karol Wojtila, ferrenho anticomunista e artífice da queda do Muro de Berlim.

O pior é que a renúncia do 007 de batina púrpura não colocou fim às especulações.

Comenta-se ter Wielgus espionado Wojtila, quando era ele o cardeal de Cracóvia. E documentos da extinta inteligência polonesa (SB) revelam que, -nos anos 70 e 80-, mais de 10% dos clérigos poloneses (25 mil à época) colaborava com a espionagem da SB.

Bento XVI enganou-se com Wielgus.



Até o presidente da Comissão Histórica para a Causa da Santificação de João Paulo II, o polonês Michael Jagosz teve de se explicar.

Don Jagos esclareceu ter sido diversas vezes procurado pelos agentes da SB, mas nunca deu a eles nenhuma informação.

PANO RÁPIDO. Na Polônia atual, a ultra direita, --xenófoba e racista--, governa o país e vive a complicar a vida da União Européia. Os irmãos gêmeos Kacynsky ocupam os cargos de presidente e primeiro ministro. Eles perseguem as chamadas "viúva" que colaboraram com a ditadura comunista. Uma dessas "viúvas" eras o arrependido monsenhor Wielgus. Um clérigo que vendeu a alma a um diabo chamado SB da espionagem: não se chama Prada.

WFM/CBN, 18 janeiro de 2007.


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