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MOSSAD x HEZBOLLAH --

Por Wálter Fanganiello Maierovitch/CARTA CAPITAL




Para operar no exterior, o histórico premier Davi Ben Gurion fundou, em abril de 1951, o Mossad Merkazi Le-Modiin U-letafkidim, ou seja, o Instituto Central de Inteligência e Missões Especiais.

O nome dos diretores-gerais do Mossad permaneceram em segredo até março de 1996. Nas referências oficiais usava-se o designativo “Código-Secreto S”. Coube a Shimon Perez promover a reengenharia de todo o serviço de inteligência (interna, externa e militar).

A razão da mudança decorreu do assassinato do premier Yitzhak Rabin, graças às falhas do serviço de inteligência interno, conhecido por Shin Beth.

Numa cerimônia pública realizada em 15 de novembro de 1995, um extremista da direita judaica, Ygal Amir, graças às falhas dos agentes do Shin Beth, conseguiu se aproximar e assassinar Rabin, como mostraram os telejornais da época.

Nas mudanças, Peres deixou para trás a tradição e tornou pública a nomeação do general Danny Yatom para dirigir o Mossad, que hoje tem até site na internet: http://www.mossad.gov.il/Mohr.

Na nova formação, a chamada inteligência da estrela-de-davi passou a contar com três órgãos: Inteligência Militar (Agaf Modin), Segurança Interna (Shabak, antigo Shin Beth) e Operações no Exterior (Mossad).

O Agaf Modin conta com 7 mil agentes e foi o responsável, no recente conflito com o Hezbollah, por erros em bombardeamentos que resultaram na morte de uma centena de civis inocentes, a maior parte crianças e mulheres.

Quando Israel lançou o seu primeiro satélite espião, o Agaf Modin passou a desprezar as informações do Mossad, que trabalha no campo, com agentes infiltrados, informantes a pagamento etc.



No Agaf Modin existem três divisões. A primeira encarrega-se da inteligência eletrônica (Elint), a segunda das comunicações (Comint). Os dados coletados são analisados pela Sayet, unidade que dispara operações antiterror.

O prestígio do Agaf Modin cresceu a partir do fim de março de 1995, quando foi descoberto, por meios eletrônicos, o esconderijo de Rida Yassin, comandante militar do Hezbollah: os helicópteros invadiram o Líbano e o mataram. Agora em baixa, o Agaf Modin continua a fazer trapalhadas e terrorismo de Estado: escolhe alvos por imagens eletrônicas. Na última investida, de novembro deste ano, executou civis palestinos e o premier israelense pediu desculpas.

Para a gestão da segurança interna de Israel, o Shabak conta com 1,1 mil agentes, espalhados por três núcleos: 1. Departamento para assuntos árabes. 2. Departamento para segurança das empresas israelenses contra ataques terroristas, caso, por exemplo, da companhia aérea El-Al. 3. Departamento para assuntos não árabes.

O Mossad conta com 1,2 mil agentes, todos com mais de quatro anos de treinamentos na Midrasha, que é a escola de preparação. O braço armado do Mossad atende por Metsada e ocupa-se de eliminações e sabotagens. Os superkillers são chamados de kidons (literalmente, baionetas).

Agentes infiltrados do Mossad repassaram informações para o serviço secreto egípcio sobre uma facção terrorista sudanesa-iraniana que matou turistas e tinha plano avançado para assassinar o presidente Hosni Mubarak. Coube ao Mossad mandar aos ares o automóvel que transportava o líder do Hezbollah, Ali Did, antecessor de Hassan Nasrallah.

O maior problema do Mossad diz respeito ao vazamento de informações. Tais fugas de informes levaram, por exemplo, a prisões de agentes do Mossad na Suíça e em Chipre.

Nasrallah, o secretário-comandante do hezbollah.


Na sexta-feira 1º de dezembro (2006), um relatório secreto do Mossad chegou à ONU, ao governo libanês do sunita Fuad Siniora e ao comando francês da missão Unifil, que foi reforçada, depois do recente cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah, no Líbano.

O relatório que vazou e com informações consideradas verdadeiras pelos órgãos de inteligência, que apóiam a missão da Unifil, mostra que o tráfico de armas se intensificou no Líbano, para o Hezbollah repor o arsenal bélico.

As armas são procedentes da Síria e do Irã: as provenientes do Irã são transportadas em tropas de burros e as da Síria chegam por mar.

O relatório aponta, também, a infiltração de membros do Hezbollah no exército libanês. Mais de cem militantes do Partido de Deus já teriam sido recrutados pelo exército. Por outro lado, dois generais do exército libanês repassam informações para o Hezbollah, a permitir que a insurgência xiita monitore as tropas da Unifil, no sul do Líbano.

Enquanto isso, em Beirute, os xiitas do Hezbollah – sob a guia de Nasrallah – e os cristãos seguidores de Michel Aoun, filo-sírio, procuram, de toda forma, impedir a instalação do Tribunal da ONU, encarregado de apurar o assassinato do ex-premier Rafic Hariri.

WFM, 12/12/2006.


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