São Paulo,  
Busca:   

 

 

Espiões/D.Humanos

 

SADDAM: 5 juízes de um Tribunal de exceção condenam o ex-ditador à morte. Protestos internacionais.

Por Wálter Fanganiello Maierovitch

OLHO.

O juiz curdo Rauf Rahman determinou: "O réu deve se levantar. Faça-o ficar de pé guardas. Está bem, deixeo-o ... Saddam Husseis al-Majid está condenado à força, até a morte"

Saddan era um tirano sanguinário: nenhuma dúvida a respeito.

Deveria ser julgado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) da ONU.

Como os EUA não reconhecem o TPI, montaram um arremedo de Corte de Justiça, que praticou a chamada Justiça dos vencedores.




Mais um grande erro dos EUA no Iraque: O tirano Saddan vai virar mártir entre os sunitas radicais, caso executado.

Na apelação, serão 9 juízes. E a decisão precisará ser confirmada pelo Conselho de Presidentes do Iraque: Jalal Talabani (curso), Adel Abdul Madi (xiita) e Ghazi al- Yawar (sunita)

A pena de morte é mera vingança. Valeu para o Tribunal de Nuremberg, pós Segunda Guerra, pois a maioria dos países a adotava e o movimento de humanização veio depois.

Milosevic, o carniceiro da ex-Iuguslávia, foi submetido ao TPI e a promotora (acusadora) Carla del Ponte procurou provas amplas de todas as suas atrocidades, para mostrá-lo por inteiro ao mundo e à Corte julgadora.

No TPI o ex-tirano teria pego prisão perpétua, num processo com provas plenas, ampla defesa e magistrados isentos.

Para ser mais rápido, O Tribunal de exceção do Iraque separou as acusações: a condenação ocorreu por crime contra a humanidade; prisões, torturas, deportações de 399 iraqueanos, entre eles mulheres e crianças, e a exceução de 148 xiitas, em 1982.

Saddan não aceita a forca (determinada na sentença). Como se acha um militar, quer, caso condenado definitivamente, ser fuzilado.

MATÉRIA

Para Khalil al-Dulaimi, advogado de Saddam, " A sentença dada abrirá as portas do inferno, as divisões sectárias se ficarão mais profundas, mais numerosos os caixões de soldados defundos com partida para os EUA. O ódio entre norte-americanos e árabes durará por gerações"

No século passado, vários tiranos foram submetidos a Julgamento, alguns sumariamente. Com a chegada do Tribunal Penal Internacional da ONU, a tendência mudou e a pena de morte não se aplica mais: em 1945, ocorreu o famoso processo de Nuremberg. Na ocasião, 12 nazistas foram condenados à morte. Na Argentina, o general-ditador Jorge Videla (1985), foi condenado à prisão perpétua e, depois de 8 anos de cárcere, recebeu indulto. O sanguinário ditador romeno Ceaucescu, deposto em 1989, acabou condenado à morte e foi exceutado com a mulher, num processo sumário. O ex-presidente da sérvia, Milosevic, estava sendo julgado pelo Tribunal Penal Internacional quando teve um ataque cardíaco e faleceu. Esses são alguns exemplos tirados da história recente.

Saddan foi condenado à morte pelo massacre de Dujail (1982) e 180 iraqueanos xiitas foram mortos. O motivo foi vingança, pois suspeitava que os xiitas tivessem preparado o atentado que conseguiu sair ileso.

No Tribunal ad-hoc (para o ato), depois da sentença, Saddam gritou: " Vocês são escravos dos invasores, traidores. Alá é grande"
Junto com Saddam foram condenados à morte o seu meio-irmão ( Barzan Ibrahim al-Tikriti) e o ex-presidente do Tribunal Revolucionário ( Awad Hamed al-Bandar). O então vice-presidente do Iraque, Taha Yassin Ramadan, recebeu pena de prisão perpétua.

Contra Saddam pesam, ainda, processos por extermínio a 180 mil curdos (1980), por crimes contra a humanidade, crimes de guerra e genocídio, figurando como co-réu o seu primo Ali Hassan al Majid, apelidado de Ali, o Químico IBGF-6 novembro de 2006.


Assuntos Relacionados
© 2004 IBGF - Todos os direitos reservados - Produzido por Ghost Planet